Pesquisa realizada com 250 famílias da comunidade
de Jurujuba, o que representa aproximadamente 20% das habitações do bairro,
constatou, como resultado preliminar, que esta comunidade, até então tipicamente
pesqueira, vem se transformando em uma comunidade periférica de trabalhadores
urbanos em conseqüência do impacto sobre a sua unidade tradicional de recursos,
a Baía de Guanabara. Até agora, os dados obtidos a partir desse levantamento
possibilitaram mapear a proporção da População Economicamente Ativa (PEA) local
que ainda se encontra vinculada à pesca e a outras alternativas ocupacionais que
vêm sendo utilizadas pela comunidade frente ao esgotamento dos recursos naturais
que até então sustentavam sua reprodução. A análise dos dados indicam,
inicialmente, que visando suprir suas necessidades básicas, bem como a de seus
familiares, muito dos pescadores são levados a mudar sua forma de organização
cotidiana do trabalho, outros a abandonar sua profissão, a pesca. Os dados
tabulados até o momento, indicam que naquela comunidade onde seus habitantes
eram em grande parte pescadores, ou melhor, trabalhavam na pesca, viviam da
pesca num bairro de pesca, hoje apenas uma minoria deles encontra-se vinculada à
atividade pesqueira e muitos destes trabalham também em outras atividades. O
levantamento socioeconômico realizado nesta primeira fase permitiu mapear também
as características mais específicas dos pescadores. Assim, podemos verificar
que:
· 13% da População Economicamente Ativa local
ainda se encontra vinculada à pesca.
· Dentre os pescadores, 70% têm a pesca como
única atividade econômica e 30% exercem outra atividade ocupacional além da
pesca.
· Quanto à forma de organização social/filiação
dos pescadores, constata-se que 54% são filiados à Associação de Pescadores de
Jurujuba, 13% à Colônia de Pescadores e 33% não possuem qualquer tipo de
filiação.
· No que tange ao embarque, 4% dos embarcados
trabalham com Carta de Embarque assinada e 96% não possuem a situação de
embarque formalizada.
· A renda per capita é bastante baixa: 98% dos
pescadores ganham de um a três salários e 2% ganham de quatro a cinco
salários.
· Quanto ao nível de escolaridade, constata-se
que 31% dos pescadores completaram apenas a 4ª série do ensino fundamental e 69%
completaram a 8ª série do ensino fundamental.
· No que diz respeito à faixa etária, a maior
parte dos pescadores, ou melhor, 62% deles encontra-se na faixa de 40 a 59 anos
de idade, 18% estão na faixa de 20 a 39 anos, outros 18% têm acima de 59 anos e
apenas 2% têm de 0 a 19 anos.
· Quanto a cor, verifica-se que 20% dos
pescadores são brancos, 38% são negros e 42% são pardos.
Fonte: UMA ASSESSORIA À SOCIEDADE CIVIL -
AUTORES: André Augusto Pereira Brandão - e-mail: aapbuff@hotmail.com, Maria Beatriz
Costa Soares Knust – e-mail : beatrizcsk@hotmail.com, Maria Teresa
Costa Soares – e-mail: mteresacs@hotmail.com INSTITUIÇÃO: Universidade Federal Fluminense – UFF
História da
Comunidade
Este texto é resultado de um trabalho de
investigação dos alunos do Projeto Olho Vivo 3, moradores da comunidade de
Jurujuba. Com o intuito de trazer à tona as histórias da comunidade, os alunos
foram em busca de antigos moradores, excelente fonte de informação.
Entre os entrevistados, estava o seu Mário
Eugênio, vice-presidente da Associação de Moradores de jurujuba (AMORJ). Ele se
lembra que, quando chegou ao local para morar, na década de 60, não havia
água encanada na região: "era um sacrifício tomar um banho, a gente pegava dois
baldes de 20 litros , colocava nas costas e ia pedir permissão ao vizinho para
usar o poço. Mas havia somente três poços na comunidade." Este texto é resultado
de um trabalho de investigação dos alunos do Projeto Olho Vivo 3, moradores da
comunidade de Jurujuba. Com o intuito de trazer à tona as histórias da
comunidade, os alunos foram em busca de antigos moradores, excelente fonte de
informação. Entre os entrevistados, estava o seu Mário Eugênio, vice-presidente
da Associação de Moradores de jurujuba (AMORJ). Ele se lembra que, quando chegou
ao local para morar, na década de 60, não havia água encanada na região: "era um
sacrifício tomar um banho, a gente pegava dois baldes de 20 litros , colocava
nas costas e ia pedir permissão ao vizinho para usar o poço. Mas havia somente
três poços na comunidade."
Ele recorda também que a AMORJ foi criada em
1981, com o objetivo de resolver problemas graves como esse. Sozinhos, os
moradores não tinham como reivindicar melhorias na infra-estrutura do local, mas
com a Associação, foram conseguindo avançar.
Em 1985, indignado pelas dificuldades que a
comunidade ainda enfrentava, seu Mário Eugênio decidiu fazer parte da AMORJ.
Dois anos depois, se tornou o presidente da instituição. Um dos primeiros
problemas que tentou resolver foi o da água. Segundo ele, os moradores se
organizaram e mutirão e com muito trabalho, quebrando ruas e instalando canos e
bombas, conseguiram expandir o encanamento. Seu Mário correu atrás também de
energia e pôs em prática o "Uma luz na escuridão", que levou luz aos moradores
dos morros.
Nessa mesma época seu Mário espalhou latões de
200 litros (emprestados pela fábrica de sardinha) pela comunidade a fim de
resolver o problema do lixo, fazendo com que não se acumulasse mais lixo na
beira da praia.
Seu Mário disse ainda que o comércio era precário
até pouco tempo atrás. Havia poucas barracas espalhadas pelo bairro, as chamadas
"biroscas". As padarias só foram se estabelecer mesmo por volta de 1997. Antes
disso os pães eram trazidos de fora da comunidade.
Ao contrário do comércio, a pesca era abundante.
Havia fartura de peixe. Entretanto, por causa deste ambiente propício, vários
atuneiros vieram explorar a Baía, matando os peixes miúdos. Como conseqüência,
hoje em dia os pescadores da comunidade enfrentam dificuldades no trabalho.
Sobre a relação entre Grota e Cachoeira, através
de uma pesquisa feita pela Internet, os alunos descobriram que existia um
caminho que ligava São Francisco / Cachoeira ao Largo da Batalha. Este caminho
recebeu a denominação de Estrada da Cachoeira, pois nele existe um rio que, em
outras épocas, formava uma cachoeira.
Como era a Grota antigamente? "Era tudo deserto,
não tinha muita casa, não tinha água, luz e nem asfalto", relembra Jurani
Magalhães, de 40 anos, morador da comunidade há 32 anos.
O Portal do Meio Ambiente é uma publicação da REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental, editada em parceria com a OSCIP Associação Ecológica Piratingaúna, e tem por missão democratizar a informação ambiental como forma de contribuir para formação e a mobilização da cidadania ambiental planetária. A REBIA não tem fins lucrativos e é feita por indivíduos e organizações parceiras que doam voluntariamente seus talentos, recursos e energias na certeza de que um mundo melhor é possível. Editado também de forma voluntária pelo escritor, jornalista e ambientalista VILMAR Sidnei Demamam BERNA, que em 1999 recebeu o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, recebeu o Prêmio Verde das Américas, entre outros. Contatos: vilmar@rebia.org.br / Telefax: (21) 2610-2272 Redação: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - Casarão da Ponta da Ilha, Bairro Jurujuba, Niterói, RJ CEP 24370-290 (Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião do Portal do Meio Ambiente).