Antecedentes
O Jornalismo Ambiental ou Ecojornalismo tem seu marco firmado em 1968, quando profissionais da imprensa, ocupados com a questão ambiental, reuniram-se em Paris durante a Conferência da Biosfera. Nessa mesma época foi preso aqui no Brasil, pela Operação Bandeirantes, o jornalista Randau Marques, considerado o primeiro profissional da imprensa brasileira especializado em meio ambiente. Foi taxado de subversivo pelo conjunto de reportagens sobre contaminação ambiental com chumbo no Município de Franca - SP, berço dos curtumes. Em seu trabalho, abordou ainda a questão dos defensivos agrícolas, seus perigos e contaminações ao meio ambiente e à população em geral.
As informações sobre os grandes acidentes ambientais ocorridos no mundo foram determinantes para a formação de uma opinião pública sensível à questão ambiental. Segundo o Major Hazard Incident Data Service, da Grã-Bretanha, até 1986 ocorreram 2.500 acidentes industriais no mundo, sendo que mais da metade (1.419) em apenas cinco anos, entre 1981 e 1986. Já os grandes acidentes ambientais, que envolveram maior número de mortes e milhões de dólares de indenização, num total de 233 acidentes, ocorreram no curto período entre 1970 e 1989. A divulgação em escala mundial destes fatos não só contribuiu para sensibilizar a opinião pública, mas também para fortalecer os movimentos ambientalistas, que se multiplicaram nesse período, além de gerar um conjunto de leis ambientais e de órgãos de controle que não existiam antes de 1970.
As reportagens e notícias ambientais veiculadas na mídia ambiental são, por natureza, contestatórias em alguns casos, e não podem ignorar as questões sociais. Por isso, interesses diversos, mas principalmente econômicos, que envolvem os setores públicos e privados, costumam criar dificuldades que assegurem o acesso desses veículos de informação, a planos de mídia e à continuidade e regularidade de seus serviços. Mas colocar questões ambientais nos debates políticos e dar voz às ONGs ambientalistas, divulgando seus trabalhos e conquistas, é um dos papéis do Jornalismo Ambiental, que apesar de encontrar dificuldades de recursos e linhas de financiamento específicas para o setor, tem papel fundamental para a democratização da informação junto à sociedade.
A história da REBIA esteve inicialmente ligada à carreira do seu fundador, ambientalista, escritor e jornalista Vilmar Sidnei Demamam Berna, cuja luta recebeu vários prêmios e reconhecimentos, destacando-se, em 1999, o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas. Esta trajetória teve início ainda no Rio Grande do Sul, quando Vilmar com apenas 16 anos, já se insurgia contra a prática da caça no colégio interno onde vivia, o que resultou em conflitos com a Direção. Dois anos depois Vilmar mudou para o estado do Rio de Janeiro, fixando residência em São Gonçalo, município da região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1982, uniu-se a outros companheiros e fundou a organização não-governamental UNIVERDE, com a proposta de conscientizar a sociedade para a urgência e a importância da cidadania ambiental ativa e participativa como solução para os problemas ambientais. Iniciava aí o embrião da futura REBIA, que surge como uma conseqüência de uma militância ambientalista e não de alguma estratégia comercial.
Na ocasião, era um enorme desafio fazer o discurso e a luta ambiental dada as condições de extrema carência da população. Os ambientalistas enfrentaram o desafio, não só lutando sozinhos, como ainda tendo de enfrentarem adversários tanto à direita, no meio empresarial, quanto à esquerda, nos movimentos populares. Na ocasião, as correntes políticas à direita consideravam o discurso ambientalista inoportuno, pois o viam como inimigo do progresso. As forças políticas à esquerda, por sua vez, também rejeitavam o discurso ambiental por julgarem inoportuno por desmobilizar as massas do enfrentamento do Capitalismo. Só muitos anos depois as forças políticas tanto à direita quanto à esquerda veriam os equívocos de seu pensamento, pois o progresso não pressupõe a destruição ambiental. Caso contrário, nos lugares onde o meio ambiente foi mais agredido deveria haver mais progresso, e isso não era verdadeiro. E as forças à esquerda também perceberam que os mais afetados pela poluição e a degradação ambiental eram os próprios trabalhadores no ambiente das fábricas e as comunidades próximas delas.
Os ambientalistas usaram como estratégia desde o início ter a mídia como parceira para mostrar as agressões ambientais, cobrar responsabilidade das autoridades ao mesmo tempo em que contribuir para aumentar a conscientizar a sociedade para a importância e a urgência das causas ambientais. A estratégia dos ambientalistas de buscar os meios de comunicação, somadas à divulgação dos grandes acidentes ambientais ocorridos no mundo foram determinantes para a formação de uma opinião pública sensível à questão ambiental, isso não só contribuiu para sensibilizar a opinião pública, mas também para fortalecer os movimentos ambientalistas, que se multiplicaram nesse período, além de gerar um conjunto de leis ambientais e de órgãos de controle que não existiam antes de 1970. Para isso, os ambientalistas também tiveram de enfrentar o desafio de adequar o discurso ambiental às carências da sociedade, mostrando que o ser humano também faz parte da natureza.
Em janeiro de 1984, aconteceu a fundação, na Cidade do Rio de Janeiro, da organização não-governamental Defensores da Terra. Sob a presidência do Vilmar, os Defensores da Terra passou a atuar mais intensamente levando pautas para a mídia através de suas campanhas para tirar as unidades de conservação do papel, em defesa dos rios e lagoas, entre outras, e que resultou na maior conscientização da sociedade para as causas ambientais, tendo por conseqüência, entre outras, no aumento da pressão junto às autoridades, parlamentares que passaram a incorporar a questão ambiental em suas atividades. Aos poucos a tema ambiental passou a fazer parte com cada vez mais freqüência da pauta dos veículos, levando o tema ambiental a ganhar cada vez mais importância junto à sociedade e à imprensa.
Em agosto de 1989, foi realizado em São Paulo o Seminário "A Imprensa e o Planeta", promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e pela Associação Nacional de Jornais. Três meses depois, aconteceu o encontro mais importante para o jornalismo ambiental brasileiro: o seminário da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). A partir do seminário da FENAJ, realizado em Brasília, formaram-se núcleos regionais de jornalismo ambiental em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, com o objetivo de criar uma entidade nacional de jornalismo ambiental. No entanto, sobrou apenas o grupo gaúcho. O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS) que nasceu dentro do movimento ambientalista, no dia 22 de junho de 1990, num debate com o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, filósofo Celso Marques, e o presidente da União Protetora do Ambiente Natural, jornalista Carlos Aveline.
A criação de uma rede de jornalistas de meio ambiente foi uma das decisões do Encontro Internacional de Imprensa, Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizado entre 20 e 24 de maio de 1992 em Belo Horizonte. Batizado de Green Press, este encontro estava na agenda oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92.
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Green Press – Carta de Belo Horizonte Nós, participantes do Encontro Internacional de Imprensa, Meio Ambiente e Desenvolvimento – Green Press – profissionais e estudantes da Comunicação; especialistas de diversas áreas do conhecimento; e representantes de diversos setores da sociedade ligados às questões do meio ambiente e do desenvolvimento, reunidos em Belo Horizonte, de 20 a 24 de maio de 1992, consideramos: Que a Comunicação Social é o principal instrumento para compreender uma emergente comunidade global interligada e interdependente; Que a existência de uma comunicação democrática está comprometida pela desigualdade na distribuição de recursos e acesso aos meios de comunicação, pela concentração desses recursos e meios em mãos de grupos econômicos, pela censura e outras formas de controle governamental; Que o acesso e a participação da sociedade civil organizada no processo de informação são as principais formas de garantir a autoderminação e a soberania dos povos. Declaramos a nossa adesão aos seguintes princípios éticos e fazemos as seguintes recomendações: Princípios Éticos O direito à informação sobre questões ambientais e de desenvolvimento é fundamental para todos os povos, porque delas depende o futuro da humanidade. Todas as pessoas têm o direito de serem oportuna e corretamente informadas sobre questões ambientais e os profissionais de comunicação devem ter o compromisso de expressarem suas opiniões através dos meios de comunicação social, sem restrições de qualquer ordem. Os meios de comunicação social devem servir à sociedade e esta tem o direito de influenciar e participar das decisões sobre políticas para o setor, assim como de exigir da imprensa a responsabilidade por suas ações. A censura e qualquer outra forma de controle sobre a Comunicação Social constituem violação do direito à Informação. A pluralidade dos meios de comunicação social e o livre acesso às fontes são essenciais para o exercício do direito à informação. São empecilhos ao direito à informação a concentração da propriedade dos meios de comunicação social e a influência econômica governamental ou privada sobre as linhas editoriais. É dever dos meios de comunicação social e dos jornalistas informar sobre opções de desenvolvimento que promovam o acesso de todos ao bem estar sem causar danos ao meio ambiente. A imprensa deve proporcionar informações que permitam ao público obter um retrato claro, preciso, objetivo e não fragmentado da realidade. São deveres da imprensa: informar sobre as práticas lesivas ao meio ambiente, alertar quanto aos seus efeitos sobre os ecossistemas e contribuir para a educação da sociedade. O trabalho jornalístico deve estar comprometido com a promoção da qualidade de vida planetária nas diversas fases de produção e veiculação da notícia. A imprensa tem o deve de expressar a pluralidade de pontos de vista sobre os assuntos de meio ambiente e de desenvolvimento. Ao jornalista deve ser garantida a liberdade e meios de desenvolver pesquisa e reunir informações. Isto é necessário para a análise precisa das políticas e práticas governamentais e privadas em assuntos de meio ambiente e desenvolvimento. É inerente ao trabalho do jornalista agir de acordo com os princípios éticos, e a ele deve ser garantido o direito de recusar trabalhar contra estes princípios ou revelar fontes de informação. É parte integral dos deveres do jornalista e dos meios de comunicação social o respeito pelo direito dos indivíduos à privacidade e à dignidade humana. Recomendações Empreender esforços para a inclusão de propostas na Agenda 21 da Conferência Rio 92, visando uma atuação democrática e eficiente dos meios de comunicação social nos assuntos relativos ao meio ambiente e desenvolvimento. Conclamar as nações unidas e suas organizações regionais e outras à convocação de conferências e reuniões periódicas para debates internacionais e locais sobre o papel da Comunicação Social nas questões ambientais e de desenvolvimento. Promover discussões entre os profissionais de comunicação de todo o mundo sobre a necessidade de se estabelecer um código de ética sobre Comunicação Social, meio ambiente e desenvolvimento, além de propor outras medidas que aperfeiçoem a atuação dos profissionais e dos meios de comunicação nesta questão. Viabilizar e buscar recursos para a constituição de uma rede mundial de jornalismo ambiental, independente de interesses privados ou governamentais. Viabilizar, ainda, a criação de uma agência de informações ecológicas, que permita o intercâmbio e o acesso irrestrito dos profissionais e estudantes de Comunicação Social a todas as informações sobre assuntos de meio ambiente e desenvolvimento. Estabelecer formas de cooperação entre os povos que lhes assegure o uso das tecnologias de comunicação para proteção do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento. Neste sentido, trabalhar para permitir o acesso das nações aos satélites de comunicação, aos modernos sistemas eletrônicos de informação, à informática e a outros recursos, tendo em vista a criação de sistemas que atendam aos interesses das sociedades. Incentivar a produção e a divulgação de notícias dos países em desenvolvimento, promovendo sua autonomia em relação às mensagens culturais, científicas e informativas dos países desenvolvidos. Criar mecanismos para que as responsabilidades e deveres da Comunicação Social sejam cumpridos promovendo formas de participação da sociedade nos meios de comunicação, por meio de representantes de seus diversos setores incluindo os conselhos de imprensa, conselhos de redação e a instituição do ombudsman. Desenvolver mecanismos para proporcionar aos estudantes e profissionais da Comunicação treinamento e formação continuada em assuntos ambientais e de desenvolvimento. Propiciar a organização de uma vigília internacional para acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos pelos governos em níveis nacionais, tratados e convenções internacionais sobre sociedades sustentadas, visando principalmente os interesses de gerações futuras. Esta Carta Foi aprovada em Assembléia Geral realizada no dia 23 de maio de 1992, com os participantes do Green Press, evento oficial da Eco 92. |
A Eco 92 foi como um divisor de águas na consciência ambiental do brasileiro. A partir daí, a questão ambiental, que já era considerada importante antes, mas não era prioritária, passou a ser também prioritária e levada a sério no planejamento estratégico de empresas e governos.
Em janeiro de 1996, Vilmar fundou o Jornal do Meio Ambiente que veio mais tarde mudar o nome para REVISTA DO MEIO AMBIENTE, com sede na cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, com o propósito de aproximar as diversas forças da sociedade na defesa do meio ambiente, uma espécie de ponte de informação para unir ambientalistas, empresários, líderes comunitários e sindicais além de atender à demanda crescente de uma significativa parcela da sociedade brasileira formada por multiplicadores de opinião, professores, estudantes, gestores ambientais, profissionais diversos interessada em informações ambientais.
O então Jornal do Meio Ambiente uniu-se a outros veículos da mídia ambiental para fundar a Ecomídias – Associação Brasileira de Mídias Ambientais, que entre as ações concretas, encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente o pleito para a criação de uma política de comunicação ambiental que resultasse no financiamento das mídias ambientais, entre outras exigências. Em 30 de março de 2004, o Governo Federal criou o GT (grupo de trabalho) com o objetivo de formular uma política em relação à informação ambiental a fim de garantir mecanismos e instrumentos que garantam o direito à informação, como definido na Constituição do Brasil.
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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE PORTARIA Nº 68, DE 30 DE MARÇO DE 2004 |
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A MINISTRA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE, no uso das atribuições legais e tendo em vista o disposto na Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003, e Considerando que um dos objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente é a difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, a divulgação de dados e informações ambientais e a formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico, conforme art. 4º, inciso IV, da Lei no 6.038 de 31 de agosto de 1981; Considerando que o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA é um dos instrumentos necessários à implementação da Política Nacional do Meio Ambiente, nos termos do art. 9º, inciso VII, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981; Considerando que um dos objetivos fundamentais da educação ambiental é a garantia de educação das informações ambientais, conforme art. 5º, inciso II da Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999; Considerando que órgãos e entidades da Administração Pública, direta, indireta e fundacional, integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA ficam obrigadas a fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda, em meio escrito, visual, sonoro ou eletrônico, conforme o art. 2º da Lei no 10.650, de 16 de abril de 2003, e Considerando a Moção aprovada na 1ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, em 30 de novembro de 2003, solicitando a criação e implementação de uma política pública de comunicação voltada para a produção e difusão de informações sobre o meio ambiente, resolve: Art. 1º. Instituir Grupo de Trabalho-GT sobre Comunicação e Informação Ambiental, que tem por finalidade formular proposta de diretrizes de política, instrumentos e ações direcionadas para fomentar a produção, a difusão e a democratização da informação ambiental no País, em observância aos pressupostos legais e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Art. 2º. O GT tem os seguintes objetivos específicos: I – formular diretrizes de política pública de informação e comunicação ambiental a ser implementada pelo Ministério do Meio Ambiente mediante programas, projetos e junto a órgãos do Governo Federal que lidam com o meio ambiente. II – propor diretrizes para formulação de programa de apoio à formação de comunicadores, dirigido a profissionais e estudantes de comunicação social, entidades civis e movimentos sociais, como parte da política pública de informação ambiental; III – sugerir ações que visem a articulação entre política de informação e comunicação ambiental com as políticas públicas de democratização da comunicação e inclusão digital; IV – propor a adequação de fontes de financiamento da política ambiental às diretrizes da política pública de informação ambiental; V – propor instrumentos que viabilizem a publicidade e os planos de mídia governamentais. Art. 3º. O GT terá a seguinte composição: I – cinco representantes e respectivos suplentes, do Ministério do Meio Ambiente, sendo: a) Gabinete da Ministra de Estado do Meio Ambiente, que o coordenará; II – dois representantes e respectivos suplentes, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, sendo: a) Assessoria de Comunicação; b) Centro de Informação, Tecnologias Ambientais e Editoração – CNIA. III – um representante e respectivo suplente, dos seguintes órgão e organizações não-governamentais, sendo: a) da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República; Parágrafo único. Os representantes titulares e respectivos suplentes, de que trata o art. 3º, incisos I, II e III, desta Portaria, serão indicados pelos respectivos titulares dos órgãos e organizações representados, e designados pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente. Art. 4º. Das reuniões do GT poderão participar, a convite de seu coordenador, especialistas, autoridades e outros representantes dos setores públicos e privados, quando necessário ao aprimoramento ou esclarecimento da matéria em discussão. § 1º. O GT deliberará por maioria simples, com a presença de, no mínimo, metade de seus membros, entre eles o coordenador. § 2º. Em suas ausências e impedimentos, o coordenador do GT será substituído por um representante por ele designado. Art. 5º. A participação no GT não enseja qualquer tipo de remuneração. Art. 6º. Caberá ao Ministério do Meio Ambiente prover os serviços de secretaria-executiva do GT. Art. 7º. Eventuais despesas com diárias e passagens correrão à conta dos órgãos e organizações representados. Art. 8º. O GT deverá concluir seus trabalhos no prazo máximo de sete meses, a contar de sua instalação, devendo apresentar relatórios mensais. Art. 9º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
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Entre 10 a 13 de fevereiro de 2005, durante a “II Conferência Nacional de Meio Ambiente”, uma pesquisa de opinião realizada com 1.141 dos 1.337 delegados identificou que a falta de informação sobre Meio Ambiente está incluída entre os três principais problemas ambientais brasileiros. O principal problema codificado foi o desmatamento (28%), seguido de recursos hídricos/Água (13%) e falta de informação sobre Meio Ambiente e Educação Ambiental (11%). A pesquisa foi realizada pelo ISER a pedido da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (SDS). Durante esta conferência os delegados aprovaram uma moção pela democratização da informação ambiental.
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Moção pela democratização da Informação Ambiental no Brasil aprovada em Brasília, 12 de dezembro 2005 durante a 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. A democratização da informação, além de contribuir para a formação crítica da consciência do povo brasileiro, permitirá o exercício da cidadania ambiental, por exemplo, no acompanhamento de obras e projetos ambientais de empreendimentos do Governo Federal ou licenciados por órgãos ambientais da União, Estados ou Municípios. Pela imediata instalação do Grupo de Trabalho sobre Comunicação e Informação Ambiental criado pela Portaria 68/30 de março de 2004 (DOU n° 62, 31/02/2004), do Ministério do Meio Ambiente, até agora não implementado; - Pela garantia da inclusão de planos estratégicos de comunicação nos projetos de promoção de desenvolvimento sustentável, como aplicação de tecnologias sociais, projetos piloto etc; - Pela inclusão de percentual não inferior a 5% (cinco por cento) para o financiamento da disseminação de informação nos projetos ambientais: · financiados pelo FNMA, PD/A, Funbio, e outros fundos públicos; · de empresas públicas e/ou autarquias do Governo Federal; · resultantes de Termos de Ajustamentos de Conduta, EIA/RIMAS e medidas compensatórias, mitigadoras e reparadoras em função do licenciamento ambiental; - Pela participação de profissionais de comunicação social, preferencialmente com capacitação em comunicação ambiental, no planejamento e execução dos projetos do Governo Federal em suas empresas e/ou autarquias, em projetos resultantes de Termos de Ajustamento de Conduta, EIA/Rimas e medidas compensatórias, mitigadoras e reparadoras em função de licenciamento ambiental; - Pela inclusão da mídia ambiental brasileira nos planos de mídia do Governo Federal e suas empresas e/ou autarquias direta ou indiretamente controladas com percentual mínimo não inferior a 5 % (cinco por cento) das verbas publicitárias. |
Durante 10 anos de existência, o Jornal do Meio Ambiente chegou, em junho de 2006, a 113ª edições, com mais de 2 milhões de exemplares distribuídos gratuitamente graças ao financiamento das empresas conscientes de sua responsabilidade ambiental. A partir de janeiro de 2006, o Jornal do Meio Ambiente sofreu uma reengenharia, passando a se denominar REVISTA DO MEIO AMBIENTE e o então IBVA – Instituto Brasileiro de Voluntários Ambientais alterou sua denominação para Rede Brasileira de Informação Ambiental, nascia a REBIA.
Rede Ambiente/RJ
A REBIA tem sido pioneira no incentivo à criação, manutenção e formação de Redes de Informação Ambiental no Brasil, a exemplo da Rede Ambiente/RJ - Programa Estadual de Apoio às Organizações Não-Governamentais (ONGs) Ambientalistas Fluminenses foi fundada em 22 de dezembro de 2002, por iniciativa da REBIA, com o apoio do então Secretário Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, André Corrêa. O projeto contou com o patrocínio da Petrobrás e teve a parceria de diversas ONGs ambientalistas do Estado como UNIVERDE, Coopernatureza, ABBAN - Associação Brasileira de Biólogos e Amigos da Natureza, SOS VERDE, FAMERJ - Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro, MOVER - Movimento Ecológico de Resende, VIVA TERRA, ADEJA - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Jacarepiá, SOS TERRA, CNFCN - Centro Norte-Fluminense de Conservação da Natureza e AMA Médio Paraíba.
O objetivo foi estabelecer ou intensificar o diálogo entre as ONGs e o Governo, estimulando e possibilitando as parcerias e troca de informações ambientais. Para isso, foram implantadas oito redes locais de informação ambiental e uma rede estadual, coordenadas pelas próprias ONGs Ambientalistas e ancorada no site do Jornal do Meio Ambiente. A ONGs receberam em doação doze computadores ligados na internet, além de oito cursos de capacitação.
Mutirões Ecológicos
Durante o grave acidente com óleo na Baía de Guanabara, no início do ano 2.000, a REBIA atuou intensamente indo além da notícia, mobilizando mais de 200 voluntários entre seus leitores e parceiros.
Em 28 de julho de 2002, com o patrocínio da Petrobrás, os voluntários ambientais da REBIA retiraram cerca de 10 toneladas de lixo flutuante que chega pelas águas da poluída Baía de Guanabara na praia da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Em 22 de dezembro de 2002, foi a vez da Floresta da Tijuca, quando os voluntários ambientais da REBIA, com a ajuda de diversas ONGs como GRUDE, Hyppocampus, retiraram cerca de 6 toneladas de areia que entopem o lago da Cascatinha. A areia retirada foi destinada à recuperação de trilhas e encostas dentro do próprio Parque Nacional. Em 6 de abril de 2003, os calouros e estudantes de Geografia da UFF - Universidade Federal Fluminense, liderados pela REBIA, trocaram seu trote pelo mutirão ecológico, juntamente com a ONG Onda Verde e os alunos e professores do UBEU, foram retirados vários sacos de cheios de lixo recolhido pelos voluntários do rio e 'piscinas' ao lado da Reserva Biológica do Tinguá (RJ).
Situação atual
Apesar das inúmeras declarações e compromissos ambientais de empresas com a responsabilidade sócio-ambiental, e dos Governos com acordos e compromissos públicos, como na Agenda 21, em assegurar a democratização da informação ambiental em nosso país, ainda estamos longe de dispor de recursos de forma sistemática. O que temos hoje é uma sazonalidade de recursos que se concentra em algumas datas do ano, como o dia Mundial do Meio Ambiente, por exemplo, quando as empresas e governos resolvem investir na demonstração de seus resultados e ações ambientais.
O apoio que a REBIA tem procurado dar as ONGs, na divulgação das ações, resultados e realizações, apesar de todas as dificuldades de financiamento, tem sido fundamental para que ampliem seu poder de comunicação junto à sociedade. Informar sobre o trabalho que vem sendo realizado é fundamental e, mais do que isso, mostrar os resultados alcançados. A falta adequada de comunicação gera problemas como a sociedade brasileira desconhecer as mudanças positivas que o terceiro setor trouxe para o Brasil. Uma pesquisa nacional encomendada pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) mostrou que a população vê com desconfiança o trabalho das ONGs que lidam com a questão ambiental: 57% das pessoas entrevistadas acham o trabalho desenvolvido por essas entidades pouco ou nada confiável.
Como notam Waterton e Wynne (1998), nos últimos vinte anos - no caso do Brasil ainda de forma incipiente - a informação sobre a qualidade e performance ambiental vem desenvolvendo um papel mais proeminente na implementação e na moldagem das políticas públicas ambientais. No Brasil, temos um exemplo recente - janeiro de 2002 - com a implantação do Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Ambiental e Práticas Sustentáveis (SIBEA) na rede do Ministério do Meio Ambiente, para atender justamente à falta de integração das informações sobre Educação Ambiental (EA). Nota-se, ainda, que a preocupação da sociedade brasileira, com relação à informação ambiental, se apresenta também na forma de lei e aponta para a criação de mecanismos facilitadores de acesso e uso dessa informação.
Um público bem-informado é um sine qua non para a participação democrática, como o filósofo pragmatista, John Dewey, insistiu. Para ele, a disseminação da informação, incluindo a informação científica, é essencial para a construção da democracia: "A menos que (os resultados de investigação) sejam lidos, não podem afetar de forma séria o pensamento e a ação de membros do público; restringem-se aos nichos retirados das bibliotecas, e são estudados e compreendidos somente por poucos intelectuais. (...) Uma apresentação técnica e erudita teria apelo somente aos tecnicamente intelectuais; não seria notícia para as massas" (DEWEY, 1956, p.183).
A maior vantagem do mecanismo de retroalimentação é que fomenta a aprendizagem contínua (CAPRA, 1997). Uma rede baseada na comunidade assim permite contribuições de todos os participantes de modo recíproco no sentido que "qualquer consumidor em potencial da informação, comentário ou questão é também um produtor em potencial (Grundner, apud SCHULER, 1994, p.41). A interdisciplinaridade, e “novas" áreas interdisciplinares como a EA e a Ciência da Informação, entre outras, podem ser "recrutadas" para "construir pontes" entre os compartimentos especializados do conhecimento.
Em pouco menos de duas décadas a opinião pública mudou radicalmente de uma posição que justificava o progresso a qualquer preço, para uma opinião de que o desejável é uma espécie de progresso que leve em conta a preservação do meio ambiente. Influíram nessa mudança diversos fatores, entre os quais: a) a pressão exercida pelas ONGs (organizações não-governamentais), principalmente as ambientalistas, com o reforço de artistas e cientistas sensíveis à causa ambiental; b) a imensa capacidade de comunicação da imprensa, e a popularização de meios como a televisão.






























