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Como anda a Educação Ambiental no Brasil?

Publicado . em Educação Ambiental

Por Berenice Gehlen Adams

A Educação Ambiental, no Brasil, a passos muito lentos vem ganhando cada vez
mais fôlego através de iniciativas da sociedade civil (mobi-lizações das
ONG's), de órgãos governamentais (com diferentes projetos em andamento:
salas verdes, coletivos educadores, Redes de EA) e da iniciativa privada
(inserção da EA nas empresas), porém, se configuram, muitas vezes, em
práticas isoladas, estanques, e por vezes desconectadas das realidades
locais, ou, ao contrário, focando somente um determinado problema ambiental
local, sem articulá-lo com uma realidade maior.

 

Percebe-se, portanto, e de uma maneira geral, que a Educação Ambiental (EA)
vem sendo aplicada, no País, em diferentes instâncias, de forma dispersa, e
enfatiza questões pontuais voltadas principalmente para problemas ambientais
como: lixo, saneamento, bacias hidrográficas, na maioria das vezes com um
enfoque de apelo para "salvar o planeta", ou seja, ainda pontual -voltada
para problemas (visão cartesiana), e não integradora - voltada para a
prevenção (visão complexa). Uma visão integrada possibilita uma
ressignificação de ambiente em sua totalidade, desenvolvendo a percepção de
que somos parte integrante do ambiente.

Conforme principais documentos referências da Educação Ambiental, dentre
eles a Lei Nº 9.795/99, a Educação Ambiental é interdisciplinar que deve
estar presente em todas as sérias e em todas as disciplinas, desde a
Educação Infantil ao Ensino Superior. Porém,

[...] "no ambiente escolar as práticas de Educação Ambiental (e,
conse-quentemente, as pesquisas dela decorrentes) têm sido realizadas
privi-legiando: sua articulação com o currículo do Ensino de Ciências e/ou
Biologia e Geografia; uma temática que apresenta nítidos vínculos com temas
relacionados à Ecologia; a discussão de problemas ambientais, em sua maioria
com forte conotação técnica, relacionada a concepções biológicas
(SORRENTINO, 1997; LIMA, 1999; AMARAL, 1995 e 2001; MEYER, 2001; FRACALANZA, 2004)". (In: FRACALANZA, 2010, s/p).

A educação, sem dúvida alguma, ainda é a melhor via para o desenvolvimento
da cidadania ambiental, e os processos educativos são fundamentais  para a
promoção das mudanças de hábitos e atitudes das pessoas e suas  relações com
o meio ambiente, principalmente os que associam atividades  informativas e
sensibilizadoras, porém, deve-se compreender que tais  processos  integram
um conjunto de ações sociais para a busca de soluções dos problemas
ambientais. A escola está carregada  de problemas que se arrastam, ano após
ano, e o que é pior, acentuam-se, e é  nesse contexto que a EA tenta
desespera-damente se instalar.

"De fato, a prática educativa voltada à questão ambiental no Brasil enfrenta
graves desafios. Por um lado, tem a responsabilidade de formar quadros aptos
a enfrentar a gestão dos sistemas naturais, visando uma sociedade
sustentável e a melhoria da qualidade de vida das populações; de outro lado,
defronta-se com a necessidade de formar cidadãos capazes de compreender e
enfrentar a atual crise ambiental". (FRACALANZA, 2010, s/p).

É preciso contribuir para algumas mudanças e melhorar o contexto educacional
através da Educação Ambiental.

Outro fator que provoca essa "lentidão" da evolução da EA no País é a
descontinuidade de projetos quando ocorrem mudanças de gestão no governo.
Muitos bons projetos iniciados são descontinuados, e novos projetos se
iniciam, dando até a impressão de estarmos constantemente reinventando a
roda.

[...] "A realização de práticas de Educação Ambiental, no âmbito da educação
escolarizada, entre outros aspectos, depende de uma adequada formação de
profissionais para o magistério. E, deve-se convir, face à diversidade de
propostas de Educação Ambiental, a formação adequada do professor necessita,
também, de acesso às informações disponíveis e sistematizadas pela produção
acadêmica e científica". (FRACALANZA, 2010, s/p).

E acrescento, também, a necessidade de um trabalho com profissionais do
magistério, articulado com os principais documentos referência da Educação
Ambiental, para que os projetos de EA desenvolvidos pelo País tenham
sintonia entre si quanto aos princípios, aos objetivos e as propostas de
ações.

A falta de capacitação ou formação dos profissionais responsáveis pela EA, e
dos professores para a inserção da Educação Ambiental deixa muitas lacunas
em todos os contextos. Estas lacunas causam um certo desequilíbrio nas ações
de Educação Ambiental realizadas no País.

Apesar [...] "da lei brasileira prever a EA em todos os níveis e modalidades
de ensino, inclusive nas universidades, permanecia, em 2005, a sensação
entre educadoras/es ambientais de que, justamente nas instituições de ensino
superior, faltavam políticas públicas educacionais relacionadas à dimensão
ambiental na formação das pessoas, bem como de estruturas específicas para
desenvolver a temática nesse meio". ( BRASIL, 2008, p. 133).

Com base nesta lacuna, está em andamento um projeto de pesquisa elaborado
para a Pós Graduação com Especialização em Educação Ambiental da
Universidade Federal de Santa Maria, que propõe a elaboração e efetivação de
um programa piloto de Capacitação de Educação Ambiental em Documentos
Referência, cujo principal objetivo é proporcionar aos educadores uma
convivência educacional e pedagógica com os principais documentos referência
de EA que são: A Lei Nº 9.795/99, que institui a Educação Ambiental no
Brasil; o Tratado de Educação Ambiental para Sociedade Sustentável e
Responsabilidade Global; e, A Carta da Terra.

Existem muitos outros documentos importantes, além destes, porém, estes
foram selecionados, pois: o primeiro legitima essa prática no Brasil,
portanto, trata-se de um documento legal que todos os professores devem ter
conhecimento e compreensão; o segundo, porque foi criado com a participação
de diversas ONGs, por fundamentar o ProFEA (Programa Nacional de  Formação
de Educadores Ambientais/MMA), amplo programa de formação em  Educação
Ambiental proposto pelo MMA; e, o último por ser um documento que nasceu
pela vontade da sociedade civil mundial em importante evento paralelo a Eco
92, o Fórum das ONG's, agrupando ideias de pessoas e diferentes grupos de
mais de 120 países.

Conclui-se ser indispensável elaborar e aplicar um projeto de capacitação
que oriente os educadores de todo País, de todos os níveis e de todas as
áreas, para a inserção da EA crítica, e desta forma, promover uma EA
alinhada aos princípios dos principais documentos referência da EA,
elaborados por diferentes coletivos, e que seja contextualizada a realidade
local/regional de onde esteja sendo praticada e vivenciada.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Articulação Institucional
e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental. Os diferentes
matizes da educação ambiental 1997-2007, Brasília: DF. MMA, 2008. (Séries
Desafios da Educação ambiental).

FRACALANZA, Hilário; et all. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL.

Fonte: http://www.apoema.com.br/artigos_bere.htm

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