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Jovens e o meio ambiente

Publicado . em Oportunidades

http://www.portaldomeioambiente.org.br/images/stories/noticias/2010/1011oportunidade1.jpghttp://www.portaldomeioambiente.org.br/images/stories/noticias/2010/1011oportunidade1.jpgO interesse pelas questões ambientais cresceu entre os jovens nos últimos anos? Evidentemente que sim. Para eles, os jovens, não se trata de uma questão de conscientização. A hora é de ação.

 

 

 

 



As estudantes Gabrielle Brandão e Nina Publio Camarero, cada uma a seu modo, defendem a causa. Fomos conversar com as duas, para ouvir e saber de perto como é essa questão para elas. Conhecemos Gabrielle durante o 2º Fórum de Condomínios que ocorreu em julho deste ano, onde ela fez uma palestra sobre preservação ambiental. Atualmente Gabrielle, 13 anos, apresenta o programa Minuto Ambiental transmitido pela Alvocom Comunicações, em Cotia. E também idealizou um instituto ambiental, em São Paulo, onde mora. Nina tem 14 anos, nasceu e sempre morou na Granja. Enviou um artigo sobre o lago do condomínio Chác. do Peroba. (leia abaixo).

JDA: Vocês acham que sua geração tem outros hábitos no que diz respeito aos cuidados com a natureza?

Gabrielle: Hoje, as pessoas têm mais consciência ambiental, mas ainda há muita gente estúpida, mal educada e que não respeita a natureza.

Nina: Sim, acredito que a minha geração nesse aspecto já é uma versão melhorada das anteriores. Hoje já não conheço quase nenhum amigo que ache normal jogar papel no chão, ou que não conheça a reciclagem. Nas escolas já vem sendo aplicados novos fundamentos que formam novas cabeças, novos pensamentos e modos de ver o mundo. Na minha classe,  tem pelo menos umas cinco pessoas que pretendem trabalhar com meio ambiente.

JDA: Como vocês veem a relação do homem com o meio ambiente, como ele se relaciona atualmente?

Nina: Eu vejo o mundo atual como reflexo da ambição humana. Guerras, poluição, muitas indústrias, tempo corrido, desmatamento e a falta da ligação com a natureza; para mim é resultado de uma ambição inexplicável do homem, uma de suas mais fatais características. As pessoas não param mais para observar o que tem ao seu redor, uma árvore, uma flor bonita no vaso de escritório, nada. Tempo é dinheiro; e dinheiro é tudo. Eu sou contra isso.

JDA: Vocês tiveram vontade de votar nas eleições? Acreditam que existam políticos bem intencionados no que diz respeito ao meio ambiente?

Gabrielle: Não tive vontade de votar. Eu acho que no mundo de hoje a maioria dos políticos são bem intencionados, legais e bonzinhos apenas na campanha, depois que os votos já foram dados, eles abandonam. É claro que salvo raríssimas exceções.

Nina: Eu adoraria votar, não vejo a hora de fazer 16 anos para ter esse "poder"! Eu acredito sim que existam políticos bem intencionados em relação ao planeta. E acho que hoje, é algo que tem que ser priorizado pela política além da educação, saúde e etc, pois temos que tomar atitudes urgentes, a Terra já está nos mostrando isso. Teria votado na Marina Silva, do PV.

JDA: Já escolheram uma profissão ou têm um interesse em particular nos estudos?

Gabrielle: Sinto que cuidar do planeta é a minha missão. Quero fazer faculdade de Artes Cênicas e Biologia.

Nina: Bom, acho que não vou fugir muito de uma profissão relacionada ao meio ambiente ou à sociedade. Eu tenho como objetivo ajudar o mundo e melhorar a situação em que ele se encontra. Pode ser em relação à natureza ou às pessoas, pois vejo muitos problemas na sociedade que me inquietam também...

JDA: O que você gostaria de ver no seu bairro?

Nina: As ruas e rios limpos e reflorestamento em várias partes que foram desmatadas!!

Seco com urubus

Por Nina Publio Camarero

Desde pequena, para voltar para casa, passo quase todos os dias pelo atalho do “Chácaras do Peroba”. E para mim, desde sempre, a parte mais encantadora do caminho é um laguinho, onde pulavam peixes, brincavam patos e desenhavam a paisagem as garças. O lago era também o espelho da lua pela noite e o reflexo do sol pelo dia.

Quando criança, a beleza do laguinho era tanta que eu nem percebia seu sofrimento. Hoje, aos meus catorze anos, sempre que passo por ele tenho apenas em minha memória a velha imagem da natureza em paz que lá dominava há algum tempo. Estou indignada em ver seu estado atualmente. Eu não quero que aquele lago encantado para uma menina há tão poucos anos, vire um poço de lixo e mau-cheiro e com o tempo, outra menina que vier a passar, esteja com o nariz tampado, vidro fechado e reclamando para sua mãe: “nós tínhamos mesmo que passar por aqui?”.

Não posso ser injusta a ponto de dizer que nunca ninguém se preocupou com esse lago. Há pouco tempo, fizeram uma barreira impedindo a passagem das sujas águas do rio que lhe abastece. Desculpem-me os idealizadores de tal façanha, mas para mim, o que fizeram foi tapar o sol com a peneira... Salvem o lago, e que se dane o rio? Está errado. Temos que tomar atitudes para salvar a natureza por inteiro, tapar um buraquinho ali, outro aqui, é pouco. Mas mesmo com tanta boa vontade, essas pessoas que fizeram a barreira não pensaram que a seca viria, e não haveria chuvas o suficiente para abastecer o lago, antes banhado pelo rio poluído. Pois a seca chegou, e hoje sou obrigada a passar pela paisagem de toda minha infância com um peso no coração, pois esta se encontra suja, seca e cheia de urubus.

A natureza nos castiga com seu silêncio, apenas com sua imagem... morta. Então me deparo mais uma vez com a triste cena que vem se repetindo, da Mãe novamente traída por seus filhos.

Educação ambiental

A educadora e ecóloga Amanda Frug mora em Cotia e coordena o Programa Fonte Escola, um dos projetos da Sociedade Ecológica Amigos de Embu. O Programa começou com o projeto “Roteiros Temáticos” que recebe grupos de escolas para um trabalho de campo com a natureza. Atualmente também abriga o projeto “Hortas Escolares”, que oferece curso de capacitação em agroecologia para educadores com foco na Horta Escolar e em metodologias participativas. O programa também criou o “Selo Escola Amiga da Terra”, projeto  de formação e capacitação de educadores, acompanhamento nas escolas para a implantação de práticas sustentáveis.

Além disso, Amanda coordena a Rede Humanaterra, que reúne trabalhos com permacultura, educação, vivências na natureza, crianças, etc. Mais informações no blog do projeto.

JDA: Você acha que há uma mudança na visão das novas gerações frente ao meio ambiente em relação às outras gerações?

Frug: Sim. Percebo isso no meu filho e em muitas crianças e jovens. Eles trazem uma força de mudança muito forte, mas que precisa ser bem conduzida pela família, pela escola e pela comunidade. Por isso é muito importante a comunhão desses espaços e um olhar muito atento a essas crianças e jovens. A educação ambiental está cada vez mais presente e a preocupação ambiental no discurso das pessoas também, mas isso ainda está muito no campo das teorias, precisamos colocar em prática! Precisamos acordar para o fato de que sustentabilidade exige mudança radical de visão de mundo e de estilo de vida. É impossível ser sustentável mantendo os padrões atuais de consumo e de vida das classes mais favorecidas. É preciso desapegar de muita coisa! Principalmente como educadora não posso deixar de acreditar, de ter esperança e utopia e de transformar isso em prática. Os desafios são inúmeros, mas os potenciais são mais numerosos ainda!

JDA: Além dos projetos no Fonte Escola, você coordena a Rede Humanaterra. Conte um pouco.

Frug: Vários amigos são parceiros dessa iniciativa, por isso estamos chamando de rede. As vezes nos procuram para realizar algo específico que não temos muito conhecimento, mas sempre temos admiráveis companheiros para indicar, essa é a força do trabalho em rede, cada um fazendo o que sabe e o que gosta, mas conectado com outros/as pessoas com focos e atividades complementares, assim podemos muito!!  Nosso trabalho com permacultura é muito inspirado no trabalho do permacultor Pete Webb, grande amigo e tutor que conheci em 98 e de lá prá cá, o que aprendo com ele transforma minha vida e orienta meu trabalho.O que mais nos motiva é atuar e transmitir uma visão crítica e transformadora da realidade, e isso não deixa de ser uma postura política (a-partidária). Não nos conformamos com as desigualdades sociais, a degradação ambiental e todos os outros danos causados pelo sistema vigente, queremos mudanças e nos esforçamos ao máximo para ser a mudança.

Fonte: Jornal d'aqui

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