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REBIA participa da II Conferência de Meio Ambiente de São Luís

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A informação é o fator-chave para a estruturação de uma plataforma de conhecimento capaz de influir sobre decisões estratégicas, seja de empresas, governos ou sociedade. Não é possível fazer a transição para um modelo de desenvolvimento limpo, baseado em novas tecnologias e em uma ciência integrada, sem uma base de informação e conhecimento social, científico e econômico capaz de mostrar caminhos diferentes e consistentes com as necessidades do futuro, e não com os pressupostos e preconceitos do passado.

Hoje vivemos aquilo que se define como sociedade da informação e do conhecimento. A mídia é uma das poucas ferramentas capaz de transitar nesse universo e fazer com que ela se torne compreensível para a sociedade. Principalmente o jornalismo tem hoje um papel muito mais relevante, no que se refere à estruturação de papéis na sociedade, do que jamais teve. Os meios de comunicação vivem um momento instigante neste início do século XXI. A entrada para valer nessa chamada Era da Informação faz do processo comunicacional  um suporte para as transformações que vão mudar o comportamento da humanidade nos próximos anos.  Desde o século 20, o jornalismo vem tendo um papel importantíssimo para a consolidação das conquistas do homem, como a abertura dos processos democráticos nos principais países do mundo.

E é a partir daí que o jornalista e o jornalismo têm novos desafios. O mais novo desafio agora é o de mudar o paradigma do desenvolvimento, encarar desenvolvimento como um processo equilibrado, que pensa o presente e o futuro como partes da mesma equação. O futuro será conseqüência do que a gente faz no presente. O jornalista tem a oportunidade - que eu acho maravilhoso - de poder olhar para o mundo de uma forma muito mais ampla, tendo não apenas o olhar no presente, mas também na dimensão da perenidade.

Houve um tempo em que a palavra socioambiental era tema exclusivo de ambientalistas. Hoje é preocupação mundial. Mas como a sustentabilidade prega a restrição, corre-se o risco de que suas mensagens (até as mais bem intencionadas), ou sejam metafóricas demais ou engajadas demais. O limite entre o engajado e o chato é tênue. Daí ter-se algum cuidado. A sustentabilidade só vai se espalhar como idéia se for vista como algo atraente, divertido, charmoso e associado a sucesso.

Isso passou por uma evolução nestes últimos dez anos, quando foram incorporados conceitos mais amplos de sustentabilidade, nos quais o meio ambiente é apenas uma parte da equação. Essa equação hoje tem três variáveis: a econômica, a social e a ambiental. A pauta ambiental era uma informação de nicho, focada em pequenos veículos que falavam para muito pouca gente, principalmente iniciados. Hoje, a divulgação dos temas ambientais conta com excelentes veículos especializados, mas, principalmente, está presente em grandes veículos de comunicação com todos os suportes possíveis. É TV, Rádio, jornais e revistas, além da Internet. A cobertura ambiental também saiu de páginas marginais dos veículos, como a geral, que disputava espaço com buracos de rua e outras pequenas mazelas para ser estampada nas primeiras páginas e nos cadernos de economia. Houve uma evolução. Ainda pode melhorar muito em qualidade de enfoque, mas já ocupa espaços nobres.

Uma pauta ganha destaque a partir do interesse da sociedade. O meio ambiente está aí, as mudanças climáticas, suas tragédias, as empresas falando em sustentabilidade, o mundo cobrando uma postura mais ética e consequente de seus governos em relação aos recursos naturais. Ou seja, meio ambiente é pauta. No entanto, falta certa organização nesta cobertura. Ela ainda é muito pontual e sem uma relação direta de causa e efeito. Muitas vezes, os grandes veículos mostram apenas um pedaço tragédia na notícia, sem se dar conta que uma catástrofe tem uma relação de causa e efeito.

Menos simples, no entanto, parece ser a tarefa de comunicar a sustentabilidade. Em todo o mundo, empresas e planejadores de comunicação enfrentam desafios que vão desde a escolha de conteúdos relevantes até as formas mais eficazes de transmitir as mensagens. Nesse terreno arenoso, a experimentação tem sido a regra.

Infelizmente nota-se que as questões envolvidas nas expressões "responsabilidade social corporativa", "investimento social privado", "responsabilidade ambiental" e "sustentabilidade" ainda são tratadas na imprensa brasileira em nível muito superficial. E não adianta dizer, como justificativa, que as mudanças de paradigmas sempre demoram a se concretizar e a compor tendências, que estaríamos vivendo um momento de transição e que, portanto, é natural esperar que as cabeças pensantes da imprensa se situem no novo contexto.

Por qual o motivo a imprensa se nega a deixar que o debate sobre a convergência dos desafios social e ambiental se estenda para o terreno onde ele realmente pode avançar que é a questão do papel social do capital. Ou, dito de outra forma, sobre a natureza do capital. Dizer simplesmente que tal ou qual manifestação de preocupação com o destino do mundo, como a defesa do meio ambiente e a luta por igualdade social, é apenas uma utopia de velhos comunistas, equivale a chamar a população de estúpida. Mais do que isso, representa falta de responsabilidade social, descumprimento do papel social da imprensa de estimular a inteligência da sociedade.

A sociedade precisa de informações para perceber quais são os desafios e empreender no caminho da sustentabilidade. Contudo, se os desafios não são colocados pela mídia, não haverá reação. Afinal, não se pode enfrentar obstáculos desconhecidos. De uma forma geral a mídia brasileira está publicando mais matérias sobre meio ambiente, no entanto, a pauta ainda é focada em temas pontuais. Tem matérias sobre os índices de desmatamento da Amazônia, sobre acidentes ambientais e alguma coisa voltada para a educação ambiental.

Um exemplo desse anacronismo da imprensa é a abordagem da questão do aquecimento global. Mesmo que haja cientistas de boa reputação criticando pontos do relatório sobre mudanças climáticas que assombrou o mundo em fevereiro de 2007 – e os há, sim, misturados a picaretas financiados pela indústria poluidora – a questão ambiental não tem, nunca teve, como vértice o problema meteorológico. O aquecimento global é apenas uma bandeira adicional, que foi irresponsavelmente empunhada pela imprensa em todo o mundo, criando um catastrofismo que, em vez de inspirar mudanças de comportamento, provoca o fatalismo conformista que nada muda.

Infelizmente ainda são raros os movimentos no sentido de relacionar estratégias sustentáveis de negócio ao tema geral da defesa do meio ambiente e da responsabilidade social, como se os editores estivessem convencidos definitivamente de que o capitalismo tem que ser necessariamente um ambiente selvagem no qual o respeito à natureza e o humanismo representam sinais de vulnerabilidade.

No caso do amplo temário que se abriga sob a denominação "sustentabilidade", as simplificações mais atrapalham que ajudam. Raramente se observa, em qualquer jornal ou revista, uma reportagem ou análise que contemple, por exemplo, os novos padrões de risco que desafiam os empreendedores, as novas métricas que permitem tangibilizar perdas e ganhos sociais e ambientais, questões como capital e democracia, capital e igualdade social, capital e garantia de usufruto dos bens naturais para as futuras gerações.

O modelo de desenvolvimento está no cerne da questão ambiental e os jornalistas ainda não estão, em grande parte, preparados para questionar este modelo. Então, se há pautas relevantes que estão fora da mídia, são as que questionam de forma consistente o modelo de desenvolvimento que vem sendo mantido e estimulado no Brasil e no restante do mundo, baseado na produção cada vez maior de energia e o uso imoderado de recursos naturais e estimulado por demandas fictícias de necessidades de consumo.

A verdadeira questão do movimento por responsabilidade socioambiental se baseia no princípio segundo o qual os indivíduos são responsáveis pelo todo social e ambiental. Segundo esse princípio, a responsabilidade de usar os meios disponíves não se limita à imposição de limites horizontais, que definem os direitos compartilhados com os contemporâneos, mas também aos limites verticais, que significam o respeito ao direito futuro das gerações que ainda estão por vir, e o respeito ao passado, ao modo de vida de populações que preferem seguir o caminho da evolução social à sua maneira e em seu próprio ritmo.

É muito importante ressaltar que apesar de tudo o jornalismo tem neste cenário de Sociedade da Informação uma vantagem competitiva decisiva: ele está preparado para lidar com a informação. A internet rompeu com todas as fronteiras do planeta e é um dos dois principais ambientes da batalha da informação: TV e a Internet.

A parcela da sociedade global que se utiliza da linguagem escrita para obter informação tem na internet seu habitat. Os visuais ficam com a TV. De qualquer forma, quem está preparado para trabalhar com informação são os jornalistas. Que sorte a nossa viver para presenciar este salto da humanidade. É quase como ser um dos pioneiros que andaram de trem ou de navios a vapor.

Claro que nem tudo está perdido, apesar de superficiais, as matérias com temática socioambiental vem crescendo e se diversificando. Mostra-se claramente que os jornalistas e comunicadores estão se libertando da mesmice, buscando aprofundar seu conhecimento e ampliar a discussão. Mas infelizmente eles não são seus patrões, o que torna o debate socioambiental, dentro dos meios de comunicação, um desafio ainda maior.

Um estudo do Ministério da Ciência e Tecnologia de 2007 mostra que os temas meio ambiente e saúde são os que mais interessam ao brasileiro, e os jornalistas tem uma alta taxa de confiança da população como fonte de informação. Isso demonstra a responsabilidade que temos, grandes ou pequenos, como ferramenta de divulgação e discussão sobre qual a nossa com a atual e futuras gerações.

Por Fabrício Angelo

_____________________________________________________

II CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE DE SÃO LUÍS/MA

PROGRAMAÇÃO

Local: Praia Mar Hotel – 29 e 30 de julho de 2010

Quinta- feira, 29 de julho de 2010

HORÁRIO

ATIVIDADE

16:00h

Início do credenciamento

18:00h

Abertura oficial da II Conferência de Meio Ambiente de São Luís

Apresentação artístico-cultural - Grupo Grita

19:00 às 20:30h

Palestra: Plano Nacional de Produção e Consumo: Marcos para participação do Setor Produtivo e das Organizações Não Governamentais.

Palestrante: Drª Samyra Brollo de Serpa Crespo

Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente

Palestra: A função e responsabilidade da mídia na construção de uma sociedade sustentável.

Palestrante: Fabrício Fonseca Ângelo

Rede Brasileira de Informação Ambiental – Rebia

Coordenador: Washington Kleber Rodrigues Lima

Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Luís/MA

20:30h

Coffee Break

Sexta- feira, 30 de julho de 2010

HORÁRIO

ATIVIDADE

7:00 às 8:00h

Credenciamento

8:00 às 9:00h

Leitura e aprovação do Regulamento da Conferência

9:00 às 12:00h

Trabalhos dos grupos temáticos e eleição das propostas

Sala I

Convenções I

Eixo I – Saneamento Ambiental

Palestra: Saneamento Ambiental de Cidades? O que ganhamos com isso.  Uma visão educacional sobre o assunto.

Palestrante: Telmo José Mendes - UFMA

Coordenador: Raimundo Nonato Medeiros da Silva

Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão - CAEMA

Sala II

Convenções II

Eixo II – Unidades de Conservação Municipais e Áreas Verdes

Palestra: Procedimentos para criação de Unidades de Conservação e Cadastro Nacional - CNUC

Palestrante: José Henrique Cerqueira Barbosa

Secretaria de Biodiversidade e Floresta – Departamento de áreas Protegidas/ Ministério do Meio Ambiente

Coordenador: Luis Jorge Bezerra da Silva Dias – SEMPE – São Luís/

Sala III

Búzios

Eixo III – Política Municipal de Educação Ambiental

Palestra: Proposição de Políticas Públicas com a participação social

Palestrante: Luis José Câmara Pedrosa

Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental - CIEA - MA

Palestra: Cidade e Meio Ambiente: experiência de Curitiba/PR

Palestrante: Márcia Maria Fernandes de Oliveira

Coordenadora da Universidade Livre do Meio Ambiente/ PR

Coordenadora: Alexsandra Maura C. B. Martin NEA – SEMED – São Luís/ MA

12:00 às 13:00h

Sistematização dos resultados dos grupos temáticos

HORÁRIO

ATIVIDADE

13:00h às 14:00h

Intervalo para almoço

14:00 às 15:00h

Eleição dos membros do Conselho de Meio Ambiente

15:00 às 17:00h

Plenária Final

17:00 às 17:15h

Encerramento Solene

17:15 às 18:00h

Atração Cultural – Boi dos Sonhos

18:00h

Coffee Break

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