O
Bioma Cerrado ocupa a totalidade do Distrito Federal, mais da metade
dos estados de Goiás (97%), Maranhão (65%), Mato Grosso
do Sul (61%), Minas Gerais (57%) e Tocantins (91%), além
de porções de outros seis estados.
O
bioma Cerrado é considerado como um ecossistema tropical
de Savana, com similares na África e na Austrália
A
área nuclear ou core do Cerrado está distribuída,
principalmente, pelo Planalto Central Brasileiro, nos Estados de
Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte
de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, abrangendo 196.776.853
ha. Há outras áreas de Cerrado, chamadas periféricas
ou ecótonos, que são transições com
os biomas Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga.
Os
Cerrados são, assim, reconhecidos devido às suas diversas
formações ecossistêmicas. Sob o ponto de vista
fisionômico temos: o cerradão, o cerrado típico,
o campo cerrado, o campo sujo de cerrado, e o campo limpo que apresentam
altura e biomassa vegetal em ordem decrescente. O cerradão
é a única formação florestal.
O
Cerrado típico é constituído por árvores
relativamente baixas (até vinte metros), esparsas, disseminadas
em meio a arbustos, subarbustos e uma vegetação baixa
constituída, em geral, por gramíneas. Assim, o Cerrado
contém basicamente dois estratos: um superior, formado por
árvores e arbustos dotados de raízes profundas que
lhes permitem atingir o lençol freático, situado entre
15 a 20 metros; e um inferior, composto por um tapete de gramíneas
de aspecto rasteiro, com raízes pouco profundas, no qual
a intensidade luminosa que as atinge é alta, em relação
ao espaçamento. Na época seca, este tapete rasteiro
parece palha, favorecendo, sobremaneira, a propagação
de incêndios.
A
típica vegetação que ocorre no Cerrado possui
seus troncos tortuosos, de baixo porte, ramos retorcidos, cascas
espessas e folhas grossas. Os estudos efetuados consideram que a
vegetação nativa do Cerrado não apresenta essa
característica pela falta de água pois, ali
se encontra uma grande e densa rede hídrica mas sim,
devido a outros fatores edáficos (de solo), como o desequilíbrio
no teor de micronutrientes, a exemplo do alumínio.
O
Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica
do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas,
riquíssima flora com mais de 10.000 espécies de plantas,
com 4.400 endêmicas (exclusivas) dessa área.. A fauna
apresenta 837 espécies de aves; 67 gêneros de mamíferos,
abrangendo 161 espécies e dezenove endêmicas; 150 espécies
de anfíbios, das quais 45 endêmicas;120 espécies
de répteis, das quais 45 endêmicas; apenas no Distrito
Federal, há 90 espécies de cupins, mil espécies
de borboletas e 500 espécies de abelhas e vespas.
Até
a década de 1950, os Cerrados mantiveram-se quase inalterados.
A partir da década de 1960, com a interiorização
da capital e a abertura de uma nova rede rodoviária, largos
ecossistemas deram lugar à pecuária e à agricultura
extensiva, como a soja, arroz e ao trigo. Tais mudanças se
apoiaram, sobretudo, na implantação de novas infra-estruturas
viárias e energéticas, bem como na descoberta de novas
vocações desses solos regionais, permitindo novas
atividades agrárias rentáveis, em detrimento de uma
biodiversidade até então pouco alterada.
Durante
as décadas de 1970 e 1980 houve um rápido deslocamento
da fronteira agrícola, com base em desmatamentos, queimadas,
uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos, que resultou
em 67% de áreas do Cerrado altamente modificadas,
com voçorocas, assoreamento e envenenamento dos ecossistemas.
Resta apenas 20% de área em estado conservado.
A
partir da década de 1990, governos e diversos setores organizados
da sociedade debatem como conservar o que restou do Cerrado, com
a finalidade de buscar tecnologias embasadas no uso adequado dos
recursos hídricos, na extração de produtos
vegetais nativos, nos criadouros de animais silvestres, no ecoturismo
e outras iniciativas que possibilitem um modelo de desenvolvimento
sustentável e justo.
As
unidades de conservação federais no Cerrado compreendem:
dez Parques Nacionais, três Estações Ecológicas
e seis Áreas de Proteção Ambiental.