A
Sociedade Brasileira Está Cada Vez Mais Interessada em Meio
Ambiente - Por Vilmar Berna*
Auditoria Independente Revela que cada vez mais pessoas se interessam
por informações ambientais no Brasil
A Nedstat (www.nedstatbasic.net)
é um serviço de auditoria independente, com sede nos
EUA, que vem monitorando os acessos ao site do Jornal do Meio Ambiente
registrando a média de mais de 6.000 acessos ao dia. Na média
MENSAL o site tem ultrapassado 100.000 visitantes! Este número
de acessos ultrapassa as tiragens dos veículos impressos
especializados em meio ambiente no Brasil, inclusive do próprio
Jornal do Meio Ambiente, cuja tiragem mensal está em torno
de 25 mil exemplares! Para conferir diariamente as estatísticas
do site basta clicar em ‘Estatísticas’, no alto
do site www.jornaldomeioambiente.com.br
Os números crescentes de visitas ao site www.jornaldomeioambiente.com.br
são indicadores importantes que desmistificam a idéia
de que os brasileiros não se importam nem se interessam pelo
meio ambiente. O que podemos constatar é o contrário.
As pessoas estão cada vez mais interessadas e a mídia
impressa não tem conseguido acompanhar e divulgar a enorme
quantidade e diversidade de informações ambientais
que acontecem diariamente no país. Aqueles que lidam e dependem
da informação ambiental, seja em seu processo de decisão,
seja para garantir direitos ou mesmo para se manterem informados
da conjuntura ambiental sabem como é estratégico ter
acesso a esse tipo de informação especializada.
O
Jornal do Meio Ambiente, tanto em sua versão impressa, com
25 mil exemplares mensais, quanto em sua versão eletrônica,
com cerca de 100.000 acessos mensais, tem por missão e filosofia
atuar intensamente na democratização da informação
ambiental no Brasil como estratégia de formação
da cidadania ambiental planetária, por entendermos que uma
sociedade sustentável e socialmente justa pressupõe
uma sociedade informada, na qual os vários segmentos produzem
e têm acesso à informação qualificada,
utilizando-a nos processos de formulação e decisão
política.
Outro
indicador qualitativo sobre como a sociedade vem valorizando a importância
da democratização da informação ambiental
são os inúmeros prêmios recebidos pelo site
www.jornaldomeioambiente.com.br
:
• Página Nota 10 - Escola Net - escolanet.com.br
por atender aos critérios de estar em português, apresentação
visual adequada, conteúdo cultural e educativo nos artigos
e textos, boa resolução da página e página
educacional e cultural;
•
Melhor Periódico - A Ambiental - Rede de Informações
Sobre Meio Ambiente ( www.ambiental.com.br
) elegeu o site do Jornal do Meio Ambiente como o melhor periódico
sobre o assunto na Internet.
•
Top 10% PNN - O site do Jornal do Meio Ambiente foi escolhido
para fazer parte da seleção PNN Top 10% pela PNN Rede
de Notícias em Português™ - Departamento de seleção
e promoção dos melhores sites de língua portuguesa
- www.interpnn.com
e-mail: top10@interpnn.com).
Divulgar é tão importante quanto fazer
Tem
empresas e instituições que estão executando
projetos e ações ambientais, organizando cursos, seminários,
lançando livros, etc., todos dignos de mérito, mas
que não conseguem divulgar de forma adequada seus resultados
ou eventos. Um dos problemas é que se preocupam mais em investir
na execução dos projetos, produtos, serviços,
eventos, mas não cuidam também dos investimentos na
divulgação dos resultados. É como se o simples
fato de estarem agindo de forma ambientalmente correta fosse suficiente
para virar pauta de qualquer veículo ambiental. Limitam-se
a contratar serviços de assessoria de comunicação
ou mesmo usam suas próprias assessorias para enviarem releases,
na esperança de divulgação, como se coubesse
aos veículos financiarem a divulgação dos resultados.
Recebo
diariamente, por meio eletrônico, a média de cinqüenta
novas notícias ambientais, umas 1.500 por mês. Consigo
aproveitar, diariamente, apenas 10, através do serviço
de notícias do site www.jornaldomeioambiente.com.br
enviado para mais de 100.000 leitores cadastrados e, mensalmente,
umas 40 que veiculo através das 20 páginas coloridas
do Jornal do Meio Ambiente impresso, cuja tiragem de 25.000 exemplares
é enviada por correio e distribuição dirigida
aos multiplicadores e formadores de opinião em todo o país.
Essa situação não é muito diferente
para os outros editores de mídias ambientais no Brasil. Todos
recebem muito mais informações do que conseguem aproveitar.
Isso revela um gargalo que tem impedido a democratização
da informação ambiental no Brasil.
De
um lado, está a iniciativa crescente da Sociedade, através
de suas empresas, universidades, organizações do terceiro
setor e do próprio governo, em produzir informações
ambientais, aparentemente demonstrando que acordou para a nova realidade
ambiental do planeta e está passando do discurso e declarações
de boa vontade ambiental para a prática.
De
outro, a realidade da mídia brasileira, dividida entre a
chamada Grande Mídia, que se propõe a atingir a sociedade
como um todo, e a mídia especializada em meio ambiente. A
Grande Mídia se interessa pela questão ambiental apenas
quando ela é notícia de grande impacto, diante de
um vazamento ou acidente ambiental, por exemplo. Alguns dizem, com
ironia, que a imprensa gosta mesmo é de notícia ruim
quando abre manchetes de primeira página diante de problemas
ambientais, mas dedica poucas linhas internas diante de soluções.
Já
a mídia ambiental especializada não tem a mesma capacidade
de infra-estrutura para fazer uma cobertura adequada de grandes
acidentes, por exemplo. Não tem recursos para contratar helicóptero
ou várias equipes de reportagem para cobertura 24 horas do
problema, em compensação, não deixa o assunto
de lado depois que ele perde a visibilidade. Além disso,
a mídia especializada em meio ambiente vai além dos
problemas e também divulga com o mesmo destaque soluções,
projetos, eventos ambientais. Infelizmente, existem poucos veículos
especializados em meio ambiente no Brasil cujas tiragens são
bem menores do que deveriam.
O
curioso é que as mesmas empresas e governos que enchem as
redações da mídia especializada com releases,
por um lado, excluem esses veículos de seus planos de mídia.
Também não asseguram recursos para divulgação
nos projetos ambientais que patrocinam. Depois se queixam que os
resultados obtidos não receberam a divulgação
que merecia, que apesar de todo o investimento em projeto de responsabilidade
sócio-ambiental a imagem institucional da empresa ou Governo
continua péssima, ou que o evento, curso ou seminário
ambiental não recebeu o público esperado por falta
de divulgação.
* Vilmar é editor do Jornal do Meio Ambiente e Prêmio
Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente – vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br
Comentário
de Adalberto Marcondes – Coordenador Geral da ECOMÍDIAS
O Jornal do Meio Ambiente conseguiu mais de 6 mil visitas diárias
ao site. Isto é uma grande vitória para o meio ambiente
e o resultado de um trabalho magnífico realizado pelo Vilmar
anos a fio.
Contudo,
apesar deste desempenho fantástico como mídia especializada
nas questões ambientais, o JMA ainda "acontece"
porque o Vilmar é um abnegado. As grandes empresas brasileiras
não aportam suas verbas publicitárias nas mídias
ambientais. Aqui fica uma provocação para o Rogério,
que acompanha este tema há anos, para que nos dê uma
palavrinha sobre o assunto.
Todos os meses o Vilmar tem de sair vendendo o almoço para
compra o jantar e colocar o JMA nas ruas. É uma publicação
fundamental para o cenário ambiental brasileiro. No entanto,
ainda sem sustentabilidade financeira.
O Brasil, como nação, não tem ainda um modelo
de financiamento para a difusão de informações
e conhecimento. A Constituição tem todo um capítulo
dedicado ao "Direito à Informação"
da sociedade, mas nenhuma linha sobre o financiamento à informação.
De fato, a responsabilidade de irrigar o mercado editorial com recursos
para que este leve informação à sociedade é
das agências de publicidade. No entanto, estas agências
atuam com critérios técnicos de perfil do público
e custo. Não entram em juízo de valor sobre o tipo
de informação que estão financiando.
O que temos de fato são anunciantes "comprando público"
e veículos "vendendo público". A informação
não tem muito espaço nesta equação.
Este é um longo debate. Parabéns ao Vilmar, que nos
mostra que dá para fazer um bom trabalho mesmo remando contra
a corrente.
Dal Marcondes
Depoimento
Pessoal: Vilmar Berna
Sempre me movi pelo sentimento de que não vim a esse mundo a passeio e que o futuro não está pré-determinado, mas depende de nossas atitudes no presente. Posso passar a vida choramingando pelo limão que recebi, ou arregaçar as mangas e fazer uma limonada. Resolvi arregaçar as mangas.
Após mais de vinte anos como militante ambientalista, primeiro na Univerde, depois nos Defensores da Terra, no período entre 1984 e 1994, e mais recentemente na REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental, da qual sou superintendente executivo, vi crescer a consciência ambiental na sociedade e também multiplicarem-se os números de novos militantes ambientalistas e de novas ONGs.
Sempre me angustiou o porquê das pessoas terem tanta dificuldade de se mobilizarem na defesa dos seus direitos a um meio ambiente preservado e mesmo para mudarem de atitude. São vários os fatores e resolvi tentar ajudar na superação desses limitadores.
Um deles é a falta de legislações eficientes que estabeleçam políticas eficazes e, na minha opinião, uma política, para ser eficaz precisa ter, no mínimo, quatro mecanismos: o da COMUNICAÇÃO, pois creio que a maioria da sociedade de gente de bem que basta ser bem informada sobre direitos e deveres para reagirem adequadamente; o mecanismo da EDUCAÇÃO, pois a informação, por si só, não é capaz de gerar mudança de valores e atitudes; o mecanismo do INCENTIVO, por que tendemos a buscar muito mais o prazer, a compensação, que a dor; e, finalmente, o mecanismo da PUNIÇÃO, pois às vezes, mesmo sendo bem informado, bem formado e bem estimulado, ainda assim, tem gente que escolhe um mau caminho, talvez motivado por ganância, arrogância, sentido de impunidade, indiferença, etc. Por isso, contribui por mais de uma década, e ainda contribuo hoje, com menor intensidade, na elaboração de boas leis ambientais, o que resultou na existência de mais de 20 leis ambientais no país, apresentadas por parlamentares meus amigos que se sentem mais vocacionados do que eu para a luta política-partidária.
Também dediquei, e ainda dedico, boa parte do meu tempo e preocupação com a formação da cidadania ambiental o que me levou a escrever livros de educação ambiental, entre os quais "Como Fazer Educação Ambiental" que é adotado em muitas escolas e por muitos professores no país. Neste livro, proponho a criação de uma Rede de Clubes de Amigos do Planeta, para que as novas gerações já cresçam com a preocupação de pensar e agir concretamente na melhoria do meio ambiente em vez de ficar esperando por 'salvadores da pátria'. Esta idéia vem se multiplicando pelo país e, por exemplo, só no município de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, já são mais de 40 clubes, reunindo mais de 500 jovens que realizam ações concretas como plantio de árvores, etc.
Também tomei a iniciativa de criar um movimento de voluntários ambientais que reúne hoje mais de 3.000 filiados e resultou em inúmeras atividades concretas pela melhoria ambiental como mutirões de limpeza em ecossistemas.
Nos últimos anos, após 1996, passei a me concentrar com mais intensidade na democratização da informação ambiental, pois sem informação ambiental em quantidade e qualidade suficientes dificilmente as pessoas serão capazes de se mobilizarem na defesa de seus direitos ambientais e mesmo de cumprir com seus deveres ambientais. Primeiro, tentei uma colocação nos grandes veículos de comunicação, mas a área ambiental não era valorizada, e vivia a 'ressaca' pós-RIO 92, quando os espaços na grande mídia para meio ambiente encolheram. Depois, tentei a mídia especializada, mas não descobri não existirem veículos em número suficiente muito menos com capacidade para contratar profissionais e mantê-los empregados. Voltei-me então para a edição de um jornal pela ONG da qual era presidente, os Defensores da Terra, e cheguei a fazer umas seis edições, mas percebi que ainda não era o que eu pretendia fazer já que a mídia institucional tem suas limitações pois focaliza a pauta muito em função do que a instituição faz ou pensa. Então resolvi enfrentar o desafio de criar um veículo próprio, especializado em meio ambiente, sem nenhum recurso, apenas com a cara e a coragem, na base do trabalho voluntário, sem a intenção de lucro financeiro, mas como um compromisso ideológico em colaborar para a mudança e a transformação do mundo em que vivemos. Pude contar com a ajuda de muitas outras pessoas, organizações, parceiros que fui descobrindo ter a mesma preocupação e compromisso.
Hoje, mais de dez anos depois, edito a Revista do Meio Ambiente, publicada mensalmente, em papel reciclado, colorida e distribuída gratuitamente em todo o país com foco no público formador e multiplicador de opinião em meio ambiente. Minha meta é poder chegar às bancas do país, podendo oferecer, assim, uma publicação deste nível ao público em geral. Também sou responsável pelo www.portaldomeioambiente.org.br que mantém a média anual em torno de 2 milhões de acessos, o que o torna numa das mais importantes referências de informação ambiental no Brasil.
Hoje, vivo financeiramente com muito pouco que ganho com os direitos autorais de meus livros, numa comunidade de baixa renda, em Jurujuba, cidade de Niterói, numa aldeia de pescadores, que lutam cotidianamente por sua sobrevivência, como eu.
DIREITO
À INFORMAÇÃO AMBIENTAL
Artigo por Vilmar Berna
Quanto mais empresas poluidoras ou não sentirem-se à
vontade para democratizar suas informações - e incluindo
de preferência os veículos damídia ambiental
em seus planos de mídia - , melhor para a democratização
da informação ambiental e melhor para os seus críticos,
que terão informações para combatê-las,
melhor fiscalizarem, sugerirem propostas e encaminhamentos, etc.
Em minha opinião, não
há nenhum problema em aceitar patrocínio de empresa
poluidora. Errado é praticar a auto-censura ou aceitar condicionamentos
de qualquer natureza que evitem pautar um tema que incomoda ao nosso
patrocinador, ou praticar um mau jornalismo abrindo espaço
apenas para a opinião do patrocinador.
Se não somos corruptos não
temos por que temer os corruptores.
Também não devemos
assumir o papel de 'babás' dos leitores até por que
eles não nos pedem isso, pois são capazes de saber
se defender escolhendo que veículos, que profissionais, que
informações querem continuar recebendo ou não.
O nosso papel é expor esta informação, de forma
isenta, ética, profissional, e não achar que temos
o direito de escolher pelo leitor. Por exemplo, como ambientalista
e cidadão, tenho me colocado contra a indústria nuclear
e sempre que posso organizo manifestações contra o
nuclear e escrevo e publico artigos e editoriais contra o setor,
mas como jornalista não tenho o direito de impedir que o
setor nuclear use o veículo que edito - e anuncie nele, inclusive
- para democratizar suas informações, ainda que eu
não goste nem concorde com elas. Já recebi muitas
críticas de ambientalistas que acham que um veículo
ambiental só tem de abrir espaço para o que for 'política
e ambientalmente correto'. Isso não seria jornalismo, seria
panfletagem.
Por outro lado, assim como temos
cuidado em nossas relações pessoais,precisamos ter
também nas relações institucionais. Ouvir uma
determinada empresa ou organização que está
sendo alvo de críticas não é nenhum favor ou
gentileza, é obrigação profissional de cruzar
informações, independente se a empresa patrocina ou
não o veículo. Mas, quando esta empresa é também
patrocinadora do seu veículo, existe uma dupla obrigação
de ouvir sua opinião. Caberá, sempre, ao leitor em
instância final, julgar se o profissional ou o veículo
estão sendo profissionais ou tendenciosos.
Reforço aqui o pensamento
do meu amigo Wilson, que concordo em gênero,número
e grau: "As empresas ou organizações "bandidas"
não aceitam o debate.Elas usam o patrocínio como forma
de "calar a boca" ou de paralisar as mãos que escrevem.
É isso que não se pode aceitar."
Penso que não precisamos
nos preocupar com empresas 'bandidas'. Elas é que se preocupem
conosco. Se desejam anunciar no Jornal do Meio Ambiente, são
bem vindas, pois estarão ajudando a financiar milhares de
centimentragem de muitas informações ambientais que
só podem circular por que alguém está financiando.
Agora, não esperem jornalismo de concordância por que
o que vendemos é espaço publicitário, que tem
preço, e não espaço editorial,liberdade e independência,
ética e dignidade, que não têm preço.
Quero deixar aqui meu depoimento
sobre empresas 'bandidas', resultado de uma prática cotidiana
na busca de financiamento das 100 edições que já
conseguimos publicar do JMA. Neste esforço, recebemos patrocínios
de dezenas de empresas no Brasil, quase que em sua totalidade grandes
poluidoras e jamais, com uma única exceção,
houve qualquer tipo de pedido direto ou mesmo de insinuação
ou qualquer constrangimento a cerca de nossa independência.
Cito só um exemplo positivo. Não foram uma nem duas
vezes em que empresas como Petrobrás, Furnas, Eletronuclear,
etc., ligadas do Governo Federal, anunciaram no JMA e na mesma edição
publicamos editorial, críticas e matérias, digamos,
desfavoráveis às imagens e atividades destas organizações
e do Governo e jamais sofremos qualquer bloqueio publicitário
antes ou depois. Nunca houve sequer um pedido 'camarada' para aliviar
qualquer crítica. Isso é um indicador de uma democracia
madura. E precisamos saber valorizar as pequenas vitórias
de nossa sociedade.
A exceção a que me
referi acima, e que não vou citar o nome, partiu de uma grande
empresa privada, a quem, ao cruzar informações a partir
de uma carta que recebi de um ambientalista, a empresa propôs
um anúncio de página dupla em troca de não
publicar a carta. Preferi publicar a carta e perder o anúncio.
Hoje, esta mesma empresa me respeita e respeita o veículo,
e alguns anos depois do primeiro episódio, passou a anunciar
conosco, mas agora respeitando as regras do jogo.
Por detrás dos releases que
inundam nossos e-mails, e das estratégicas de comunicação,
publicidade e marketing ambiental das empresas poluidoras, temos
colegas que assessoram estas empresas e organizações,
e este é um nicho de trabalho crescente. Precisamos entender
que estes colegas têm o direito ao seu trabalho, e que as
organizações têm o direito e o dever de se comunicarem
adequadamente com o público interessado, informando sobre
como estão cuidando do meio ambiente. Inclusive, ao agirem
assim, podem estar contribuindo para a formação de
consciência ambiental da sociedade e mesmo dar o exemplo para
outros, estimulando novos investimentos em meio ambiente, num efeito
cascata.
Mas informação é
credibilidade. E conquistar esta credibilidade é a chave
do sucesso entre uma informação que vai para o lixo
da informação que agrega valor. Qualquer plano ou
campanha de Comunicação Ambiental deve estar baseado
no desejo sincero em se comunicar francamente com seus diversos
públicos. Afinal, mentiras têm pernas curtas. Adotar
o silêncio ou publicar informações tendenciosas
ou mentirosas como estratégia para se proteger de problemas,
pode até dar certo em alguns casos, mas, quando não
dá, pode ser tarde demais ou custar muito mais caro ter de
corrigir boatos ou mentiras.
O melhor antídoto para a
desconfiança do público é a verdade, com a
circulação de documentos e informações
específicas para este público e identificação
de parceiros para projetos. No esforço de agregar credibilidade
à informação, os críticos podem exercer
um papel importante
ainda que sejam incômodos e às vezes até injustos
em suas críticas, pois mantém abertas as portas do
diálogo e a confiança do público e dos leitores
pois sabem que estão num ambiente de respeito às idéias
e opiniões diferentes.
Também compromete a credibilidade
da informação quando há uma tentativa de exagerar
'aspectos da verdade'.
É verdade que a empresa realmente
está investindo neste ou naquele aspecto ambiental, mas a
proporção entre este investimento e o que ela retira
da natureza ou destrói o meio ambiente pode ser absolutamente
desproporcional, fazendo com que o público não desconfie
da verdade informada, mas também não agregue grande
valor ambiental à informação. Os colegas que
elaboram estas campanhas institucionais e peças publicitárias
e de informação precisam estar atentos para não
exagerarem demais nos ingredientes pois podem desandar o produto
final.
E isso é mais comum do que
se imagina, e não são poucas as empresas que pretendem
obter mérito ambiental por estar fazendo parte de suas obrigações
legais, ou cumprindo algum termo de ajuste de conduta, ou medida
compensatória obrigatória devido licenciamento ou
agindo no controle de poluição intrínsecos
à própria atividade poluidora. Nestes casos, não
houve mentira ou tendenciosismo, nem a empresa esta exorbitando
do seu direito de informar, mas a empresa precisa compreender que
o público não estará dando à informação
toda a importância que a empresa gostaria.
A
INFORMAÇÃO AMBIENTAL ASSOCIADA AO MARKETING E À
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Mas só informar pode não
ser suficiente. Existe a poluição da informação
onde as palavras perdem o significado e importância e tanto
faz o público saber que derrubaram uma árvore na esquina
ou uma floresta inteira. Não é pelo maior ou menor
volume de informações que o público aprende
a pensar criticamente e se torna capaz de atuar em seu mundo para
transformá-lo ou se torna consumidor deste ou daquele produto
ou serviço. Os profissionais de publicidade e marketing sabem
disso e precisam usar de estratégias para que a informação
chegue aos receptores, ao público e para isso usam de diversos
recursos, como a repetição pura e simples, colocar
a informação onde o receptor menos espera, agregar
alguma emoção à informação, agregar
a imagem ou a credibilidade de alguns atores à informação
sobre seu produto, etc.
Por exemplo, a simples veiculação
de informação ambiental desassociada de um compromisso
com a cidadania crítica e participativa, ao contrário
de estimular uma revisão de valores, pode aumentar a velocidade
do saque aos recursos do Planeta, uma espécie de ética
distorcida, como se a seleção natural das espécies
separasse o mundo em vencedores (desenvolvidos, países de
primeiro mundo) e perdedores (em desenvolvimento, sub-desenvolvidos,
países de segundo e terceiro mundo) onde apenas os mais aptos
e espertos sobrevivem, aqueles que chegaram primeiro e dispõem
dos melhores meios e tecnologias para retirar e utilizar com mais
eficiência e rapidez os recursos do Planeta, capitalizando
lucros e socializando prejuízos.
Jornalismo
Ambiental: especialização e consciência
- Por André Alves*
No
segundo semestre deste ano, o curso de comunicação
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) oferecerá
uma disciplina inédita em todo o país: a de Jornalismo
Ambiental. Uma luta da professora Ilza Maria Tourinho Girardi, da
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico)
que aponta para dois fatos extremamente relevantes: o crescimento
da conscientização ambiental e a necessidade de profissionais
de comunicação especializados no tema. Mesmo com modismos
e marketing pretensamente verdes, percebemos que nos últimos
doze anos a imprensa, de um modo geral, vem dedicando mais espaço
às ações ecológicas e estudos ambientais.
Entretanto, jornais e jornalistas nem sempre estão em sintonia
sobre a importância da informação no papel da
formação de uma nova consciência ecológica
e como instrumento pedagógico.
A
professora Ilza Girardi, ao propor a criação do curso,
recorreu ao Simpósio Nacional de Jornalismo Ambiental, realizado
em Belo Horizonte no final de 2002, onde jornalistas, ambientalistas
e estudantes realçaram a necessidade da criação
de disciplinas de jornalismo ambiental nos cursos de graduação
como forma de se investir na formação do futuro profissional.
Além disso deve ser tratado como um campo do Jornalismo Científico,
devido a sua multidiscplinaridade e complexidade de temas como biotecnologia,
biopirataria, seqüestro de carbono, efeito estufa, mecanismos
de desenvolvimento limpo, desenvolvimento sustentável, escassez
de recursos hídricos, entre muitos outros.
O
Jornalismo Ambiental está se constituindo em uma especialidade
onde a formação de profissionais capacitados se torna
imprescindível, do mesmo modo como os cronistas esportivos
a partir da década de 40 no Brasil e com o mesmo peso e importância
que os jornalistas da área política e econômica
nos últimos 20 anos. É claro que atualmente existem
várias publicações e dezenas de jornalistas
e comunicadores com formação e percepção.
No caso de jornalistas cito Washington Novaes, Liana John, Carlos
Tautz, Vilmar Berna e Roberto Villar, entre muitos outros. Em relação
às mídias, temos o Jornal Terramérica, Estado
Ecológico, revista Ecologia e Desenvolvimento e Jornal do
Meio Ambiente. Isso sem falar do trabalho de diversos assessores
de imprensa de organizações não-governamentais
e órgãos de governo.
Essas
publicações e jornalistas vêm reforçar
a necessidade de jornalistas especializados, tanto é assim
que existem dezenas de universitários na Rede Brasileira
de Jornalistas Ambientais (RBJA), criada para debater assuntos específicos
do jornalismo ambiental no Brasil, integrar os jornalistas de várias
regiões do país que cobrem este assunto tão
vasto, além de divulgar sugestões de pauta. Esses
motivos reforçam a iniciativa da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul que provavelmente será um marco no jornalismo.
Particularmente
em Mato Grosso, estado que detém três importantes biomas
(Pantanal, Cerrado, e Amazônia), existem importantes trabalhos
de educação ambiental em andamento ao mesmo tempo
em que a degradação é acelerada. Além
da Rede Mato-grossense de Educação Ambiental (ou talvez
justamente pela existência dela), é que na Universidade
Estadual de Mato Grosso (Unemat) a educação ambiental
e a ecologia são áreas fortes, principalmente no campus
de Cáceres. Na UFMT, em todos os cursos existem as disciplinas
optativas de Educação Ambiental.
O
que se espera, é que outras faculdades, sejam elas particulares
ou públicas observem e estudem a possibilidade de incorporar
a disciplina em sua grade, estimulando e provando a necessidade
da especialização e da formação acadêmica
do futuro jornalista.
André
Alves é editor da agência de notícias ambientais
Estação Vida e membro da Rede Brasileira de Jornalistas
Ambientais (alalves@icv.org.br).
Artigo publicado em 12/março/2003 no Jornal do Meio Ambiente.
Jornalismo
Ambiental - Evolução e Perspectivas - por Roberto
Villar*
O
meio ambiente é o centro de uma disputa de poder neste final
de século. Os empresários estão conseguindo
roubar a bandeira dos movimentos ecológicos. As palavras
de ordem agora são custo ambiental e parceria. As empresas
não só descobriram que podem ganhar muito dinheiro
fazendo o que os ecologistas vem dizendo há mais de duas
décadas, como perceberam que evitar o desperdício
e implantar tecnologias limpas é uma questão de sobrevivência
no mercado globalizado.
O "ambientalismo empresarial" ganha força. Publicamente,
as grandes indústrias fazem campanhas publicitárias
e plantam notícias na imprensa. Veladamente, exercem um forte
lobby para afrouxar a legislação ambiental e desacreditar
as ONGs. Nos discursos, defendem a liberdade de imprensa e a democracia.
Nos bastidores, são soldados de uma conspiração
do silêncio - a censura empresarial - criada para que a população
receba apenas a versão dos poluidores. Este é o pano
de fundo para entender o jornalismo ambiental dos anos 90.
O jornalismo ambiental tem características diversas em cada
região do Brasil. A existência e a própria qualidade
das notícias publicadas estão diretamente relacionadas
à mobilização da sociedade em torno do tema.
As Organizações Não-Governamentais enfrentam
dificuldades para publicar os seus pontos de vista em todo o país,
mas onde a atuação das entidades é fraca, o
noticiário sobre problemas ecológicos é quase
inexistente.
Os grandes grupos de comunicação do país sabem
que não podem ignorar a questão ambiental, meramente
por uma questão de mercado, e por isso fazem pequenas concessões,
abrindo janelas periféricas aqui e ali. No entanto, mantêm
o jornalismo ambiental com um status marginal. E o jornalista que
se especializa é rapidamente tachado de ecochato ou ecologista,
minando a credibilidade do profissional. Principalmente quando começa
a discutir com profundidade as questões ecológicas
e denunciar grandes empresas poluidoras.
A imprensa brasileira dificilmente trata dos problemas ambientais
com profundidade na pauta das discussões públicas.
As exceções são fruto de um esforço
pessoal e isolado. O meio ambiente é manchete e ganha espaço
e tempo na cobertura diária quando acontecem desastres, ou
quando os assuntos repercutem no exterior, como a morte de um ecologista
famoso, as queimadas e os desmatamentos na Amazônia e na Mata
Atlântica. A pauta ambiental ainda vem das agências
internacionais.
A grande imprensa não desvenda a promiscuidade que existe
entre os órgãos ambientais e as indústrias.
Também evita debater temas brasileiros, como a falta de saneamento
no país.
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
e Ambiental reuniu os maiores especialistas em saneamento ambiental
de 14 a 19 de setembro em Foz do Iguaçu. Os jornalistas não
apareceram. Dias depois, o governador do Paraná, Jaime Lerner,
promoveu os Jogos da Natureza e surgiram centenas de repórteres
para registrar o espetáculo.
Diante deste novo "ambientalismo empresarial", uma aliança
entre jornalistas, cientistas e ecologistas é de vital importância
para a democracia. Um cidadão só tem liberdade de
escolha se ele conhece as opções existentes. Se só
existe uma versão, não há o que escolher.
O cidadão não tem como confrontar as informações.
Por isso, os repórteres tem que ouvir o que os pesquisadores
e ambientalistas têm a dizer. Por outro lado, não podem
se transformar em meros assessores de imprensa de entidades ecológicas
ou instituições de ensino. É preciso bom senso
e equilíbrio. Lembrando sempre que o poder da imprensa é
determinar os assuntos que estarão na agenda das discussões
públicas da sociedade.
Hoje, os empresários têm mais acesso à imprensa.
Poucas ONGs já aprenderam a disputar tempo e espaço
na mídia. Algumas exceções são a Greenpeace
e a Fundação SOS Mata Atlântica. A maioria das
entidades ambientalistas não conhece o funcionamento dos
veículos de comunicação, o processo de produção
das notícias. Por isso, melhorar a qualidade do jornalismo
ambiental não passa apenas pela educação ambiental
dos jornalistas, mas também pela educação jornalística
dos ecologistas.
Além da censura empresarial, existe a omissão dos
jornalistas nas redações. Quanto mais especializado,
mais o repórter ou editor começa a questionar a sua
concepção de mundo e o seu próprio estilo de
vida. Como o jornalista pode falar de harmonia entre os homens e
a natureza se não sabe o que é a harmonia? Como poderá
estimular a solidariedade tendo um espírito individualista?
Se é verdade que a destruição da natureza inicia
no espírito dos homens, os jornalistas terão que mudar
o seu próprio estilo de vida no processo de aprendizado do
jornalismo ambiental.
O jornalismo ambiental é uma especialização
do jornalismo, com todas as regras gerais da profissão. A
reportagem de meio ambiente tem que ser "vendida" como
qualquer outra matéria. Deve ser novidade e de interesse
público. A linguagem tem que ser simples.
"O estilo é a arte de dizer o máximo com o mínimo
de palavras", dizia Jean Cocteau.
O repórter tem que oferecer boas manchetes para disputar
espaço nas redações, e se diferenciar com um
trabalho de qualidade. Quando fizer denúncias, deve ter provas
suficientes para enfrentar a reação dos poluidores,
e a pressão dos editores.
Alguém já disse que a reportagem é a arte de
reconstituir os fatos, com emoção.
E com opinião, eu acrescentaria. Sem uma opinião própria
fundamentada sobre os fatos não há como escrever uma
boa reportagem. A neutralidade da imprensa é uma bobagem
que inventaram para enganar os leigos. O que existe, e deve ser
perseguida, é a honestidade. Quando escolhemos uma pauta,
a abertura de uma matéria ou um título, estamos sendo
parciais, vendo o mundo com os nossos olhos. Afinal de contas somos
seres humanos, e não máquinas de calcular.
Uma tendência que surge cada vez com mais força no
jornalismo ambiental é a divulgação de histórias
humanas e bons exemplos. Menos catástrofes e previsões
científicas assustadoras, e mais dicas práticas para
o dia-a-dia das pessoas. No Brasil, quem segue este estilo é
o Repórter Eco, da TV Cultura de São Paulo, programa
que conseguiu sobreviver à ressaca pós-Rio 92 e vem
mantendo um bom índice de audiência em todo o país.
Este tipo de reportagem educativa é de grande importância,
para mostrar que é possível viver em harmonia com
a natureza. No entanto, o jornalismo ambiental não pode se
limitar apenas a bons exemplos. O repórter especializado
tem que ser também um cão de guarda, e denunciar os
desmandos. Uma matéria retrata a realidade. Se a realidade
é trágica e catastrófica, a imprensa não
pode criar um mundo fictício em nome da educação
ambiental do público. Deve procurar, porém, contextualizar
o homem dentro da natureza, e sempre apresentar os problemas com
as soluções ambientalmente sustentáveis.
O jornalismo ambiental não se limita à grande imprensa.
Os jornais de bairro, rádios e televisões comunitárias
também são alternativas importantes, pois permitem
um envolvimento muito mais direto com o público. A pauta
dos veículos reflete mais as necessidades da região.
O principal jornal de bairro de Porto Alegre - Oi! Menino Deus -
conseguiu fazer, entre 1995 e 1996, reportagens investigativas na
área ambiental que lhe renderam diversos prêmios estaduais,
vencendo até os grandes jornais gaúchos.
Breve história do jornalismo ambiental
O
jornalismo ambiental é uma tendência irreversível
na imprensa mundial. Depois da Rio 92, houve um retrocesso nos Estados
Unidos e no Brasil. Por outro lado, cresce de importância
no Leste Europeu. Apesar da diminuição de tempo e
espaço em alguns países, entidades de jornalistas
especializados em meio ambiente trabalham na formação
de profissionais, melhorando a qualidade das matérias. A
primeira organização surgiu na França, ainda
na década de 60.
Em 1968, aconteceu em Paris a Conferência da Biosfera. Na
mesma época, surgiu na França a primeira entidade
de jornalismo ambiental. No mesmo ano, era preso no Brasil - pela
Operação Bandeirantes - o jovem repórter Randau
Marques, primeiro jornalista brasileiro a se especializar em meio
ambiente. Randau foi considerado subversivo na época porque
escreveu num jornal da cidade paulista de Franca (berço dos
curtumes) reportagens sobre a contaminação de gráficos
e sapateiros com chumbo, e já questionava a expressão
"defensivos", mostrando que os agrotóxicos eram
responsáveis pela mortandade de peixes e pela intoxicação
de agricultores. Depois, Randau se especializou em assuntos urbanos
e questões ambientais no Jornal da Tarde.
Pelo diário do Grupo Estado, Randau cobriu na capital gaúcha
a primeira polêmica ambiental envolvendo uma grande indústria.
O fechamento da fábrica de celulose Borregaard, do dia seis
de dezembro de 1973 até 14 de março de 1974, atraiu
a atenção de jornalistas de outros estados e do exterior.
A indústria, hoje chamada de Riocell, fica nas margens do
Guaíba, na frente de Porto Alegre. A poluição
uniu o embrionário, mas aguerrido, movimento ecológico
gaúcho. No entanto, não é a imagem de uma chaminé
que representa a época. Foi a famosa foto do estudante universitário
Carlos Dayrel sentado numa acácia, tirada no dia 25 de fevereiro
de 1975. Ele ficou horas em cima da árvore que seria cortada
pela Prefeitura para a construção de um viaduto. Os
protestos dos ecologistas ganharam ampla cobertura da imprensa,
amordaçada pela censura militar.
Foi depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente, realizada
em Estocolmo, em 1972, que as questões ambientais começaram
a aparecer com maior freqüência na imprensa internacional.
O novo boom ocorreu em meados dos anos 80, com a descoberta do buraco
na camada de ozônio e as primeiras hipóteses sobre
o impacto das atividades humanas no aumento do aquecimento global.
A imprensa brasileira reagiu às preocupações
dos países do primeiro mundo, e se voltou para os problemas
ambientais da Amazônia.
Em agosto de 1989, foi realizado em São Paulo o Seminário
"A Imprensa e o Planeta", promovido pela Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e pela
Associação Nacional de Jornais. Três meses depois,
aconteceu o encontro mais importante para o jornalismo ambiental
brasileiro. A Federação Nacional dos Jornalistas realizou
no final de novembro, em Brasília, o "Seminário
para Jornalistas sobre População e Meio Ambiente".
Participaram especialistas internacionais, como o francês
François Terrason, especialista em planejamento ecológico
e agricultura, a norte-americana Diane Lowrie, da Global Tomorrow
Coalition, a jornalista argentina Patricia Nirimberk, da Fundação
Vida Silvestre, o tcheco Igor Pirek, da Agência de Notícias
CTK, o educador Pierre Weil, da Universidade Holística Internacional
e especialistas brasileiros, como o repórter Randau Marques,
o professor Paulo Nogueira Neto, o físico Luis Pinguelli
Rosa, o agrônomo Sebastião Pinheiro e o jornalista
Fernando Gabeira.
A união dos jornalistas de meio ambiente
A
partir do seminário da Fenaj em Brasília, em 1989,
formaram-se núcleos regionais de jornalismo ambiental em
São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul,
com o objetivo de criar uma entidade nacional de jornalismo ambiental.
No entanto, sobrou apenas o grupo gaúcho. O Núcleo
de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (Nejrs) nasceu dentro do
movimento ambientalista, no dia 22 de junho de 1990, num debate
com o presidente da Associação Gaúcha de Proteção
ao Ambiente Natural, filósofo Celso Marques, e o presidente
da União Protetora do Ambiente Natural, jornalista Carlos
Aveline.
Nestes sete anos, o Nejrs trabalhou junto com as principais ONGs
gaúchas e também promoveu debates no meio universitário.
Em junho de 1991, promoveu o Encontro Jornalismo e Ecologia, junto
com a Ufrgs, SBPC, PUCRS e Consulado do Estados Unidos, que viabilizou
um debate via-satélite. Entre abril e maio de 1992, realizou
junto com a Faculdade de Comunicação da Ufrgs o I
Curso de Extensão em Ecologia para Jornalistas, preparatório
para a cobertura da Rio 92. O II Curso ocorreu entre novembro e
dezembro de 1993, com o objetivo de discutir o papel da imprensa
nos desastres ambientais. O resultado foi a publicação
do Manual de Emergência para Desastres Ambientais.
O Nejrs foi agraciado pela Assembléia Legislativa do Rio
Grande do Sul com a Medalha do Conservacionista, em junho de 1994.
No mesmo ano, recebeu o prêmio Contribuição
Especial da Associação Rio-Grandense de Imprensa.
O Núcleo é formado por 17 jornalistas, 7 na grande
imprensa, mas apenas um fazendo jornalismo ambiental diário.
Os integrantes da entidade criaram o jornal Sobrevivência
da Agapan e um encarte verde dentro do jornal do Sindicato dos Jornalistas,
entidade que cede uma sala ao Nejrs. A próxima publicação
do Núcleo será um boletim eletrônico quinzenal
distribuído na Internet.
Em nível global, a principal entidade de jornalismo ambiental
é a Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente do Estados
Unidos. A Society of Environmental Journalists foi criada em 1990
por um dúzia de repórteres premiados, e atualmente
tem mais de 1.100 sócios. A entidade se dedica a melhorar
a qualidade, precisão e importância das reportagens
de meio ambiente.Para isso, promove encontros e debates em todo
o país. A Sétima Conferência Nacional da SEJ
ocorreu de 3 a 5 de outubro na Universidade do Arizona, em Tucson.
A criação de uma rede mundial de jornalistas de meio
ambiente foi uma das decisões do Encontro Internacional de
Imprensa, Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizado entre 20 e
24 de maio de 1992 em Belo Horizonte. Batizado de Green Press, este
encontro estava na agenda oficial da Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Mas foi
somente em 1993, numa reunião em Dresden, na Alemanha, que
foi criada a Federação Internacional de Jornalistas
de Meio Ambiente.
Atualmente, a Federação é uma aliança
formada por jornalistas de 52 países. O principal objetivo
da entidade é ampliar a compreensão pública
dos problemas ambientais através do intercâmbio entre
os profissionais especializados. Para isso, realiza encontros anuais.
O primeiro congresso ocorreu em Paris, em 1994, no Palácio
da Unesco. Em 1995, a reunião aconteceu no campus do Massachusetts
Institute of Technology (MIT), na cidade de Cambridge, junto com
a reunião anual da Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente
dos Estados Unidos. Depois, a Federação se reuniu
em Cebu City, na Ásia (1996) e em Budapeste, na Hungria (1997).
Em 1998, o Congresso será no Sri Lanka, depois na América
Latina, provavelmente na Colombia, e no ano 2000 no Egito.
O Núcleo de Ecojornalistas acredita que é preciso
formar uma rede virtual de jornalistas especializados em meio ambiente
no Brasil, através da Internet. Desse modo, é possível
trocar experiências, pautas e fontes. Também defendemos
a aproximação com a Federação Internacional
de Jornalistas de Meio Ambiente. Já existem no Alternex duas
conferências eletrônicas para facilitar a troca de informações.
Uma em inglês - env.journalism - e a outra em português
e espanhol - amb.jornalismo. O intercâmbio internacional e
a parceria com as ONGs e cientistas com certeza elevará a
qualidade do jornalismo ambiental praticado no país.
As entidades
NEJRS
- Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul
Rua dos Andradas 1270, 13.o andar, Porto Alegre.
CEP: 90020-008. E-mail: nejrs@ax.apc.org
Coordenador: Juarez Tosi
E-mail: juatosi@portoweb.com.br
Telefone: (0xx51) 2254555 (Procuradoria da República/RS)
SEJ - Society of Environmental Journalists
P.O. Box 27280
Philadelphia, Pa. 19118
Presidente: Kevin Carmody, do Chicato Daily Southtown www.sej.org
IFEJ - International Federation of Environmenal Journalists
14, Rue de la Pierre Levée, 75011 - Paris, France
Tel: +330148054607
Fax: +330149239149 www.sej.org/ifej
Presidente: Jim Detjen - E-mail: detjen@pilot.msu.edu
Secretário: Valentin Thurn
E-mail: v.thurn@link-k.gun.de
ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão
Comunitária
Avenida Presidente Vargas 962, sala 711 - Rio de Janeiro
CEP: 20071-002
Fone/Fax: (021) 2531154
Presidente: Tião Santos
E-mail: tiaosantos@ax.apc.org www.ibase.org.br/tiaosantos
• O autor é Roberto Villar, 29 anos, responsável
pelos programas Gaúcha Ecologia, da Rádio Gaúcha,
e Ecologia em Destaque, da Rádio CBN de Porto Alegre. Sócio
do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Cobriu
pela Gaúcha duas conferências da ONU, a Cúpula
da Terra, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, e a Habitat II,
em Istambul no ano passado. Já participou de dois Congressos
da Federação Internacional de Jornalistas de Meio
Ambiente, em Paris (1994) e Cambridge/USA (1995). Em maio de 1995,
passou duas semanas na Alemanha, à convite do governo alemão,
conhecendo projetos ambientais. Já recebeu mais de dez
prêmios regionais de jornalismo, entre eles o Primeiro Lugar
em Reportagem Geral do Prêmio da Associação
Rio-Grandense de Imprensa, edição de 1996, com reportagem
sobre a maior mortandade de peixes registrada no Guaíba,
publicada no jornal de bairro Oi! Menino Deus
Do
mico-leão-dourado ao bicho-homem – Por Pedro
Celso Campos
Quem se interessa pelo jornalismo ambiental deve lançar um
olhar de indagação, inicialmente, sobre a própria
epistemologia do meio ambiente (história, envolvimentos,
correntes etc) buscando uma perspectiva crítica em relação
aos valores sócio-econômicos modernamente contemplados
pela política neo-liberal. Debruçando-se, desta forma,
sobre a questão, o estudioso compreenderá a responsabilidade
social que perpassa o Jornalismo Ambiental enquanto possibilidade
dialética de intervenção social com objetivo
de conduzir à reflexão e à mudança de
comportamento ao nível da cidadania.
O caminho mais direto para esta pedagogia ambiental é a retomada
do jornalismo investigativo, de apuração cuidadosa,
com ampla checagem de fontes, ouvindo não apenas "os
dois" mas "todos os lados" da questão, contextualizando
e explicando a informação , apontando seus desdobramentos
possíveis, além de conferir-lhe uma apresentação
estética compatível com seu conteúdo (o que
significa boas imagens na TV e na Internet e cobertura fotográfica
documental no impresso).
Entretanto, a utilização do jornalismo para a educação
ambiental dos cidadãos é incompatível com o
modelo de jornalismo atualmente institucionalizado, onde a pressa
de noticiar determina uma apuração superficial, o
que gera notícias incompletas, confusas, quando não
totalmente falsas. Privilegia-se o espetáculo da imagem ou
do depoimento, ou mesmo do conteúdo impresso, como se a octanagem
do escândalo detonando os índices de audiência
tivesse o poder de justificar a pura e simples publicação
de mentiras ou grosseiras agressões à ética,
à tolerância e ao respeito humano.
Um balcão chamado jornalismo
As novas tecnologias não estão sendo plenamente utilizadas
para um jornalismo melhor. Pelo contrário, elas têm
contribuído para o acirramento da concorrência entre
repórteres, editores e meios de comunicação
em geral. O mesmo equipamento que permite checar à exaustão
uma informação importante também é usado
para colocar no ar imediatamente a notícia, deixando a investigação
para logo mais.
Outras vezes é a linguagem que não ajuda: na televisão
aberta, por exemplo, mesmo sabendo que não somos um país
de letrados -sem contar nossos 20% de analfabetismo - usam-se siglas
e fazem-se comentários que só os yuppies da Avenida
Paulista compreendem. É um jornalismo em circuito fechado,
onde o fato que o âncora, por exemplo, comenta não
é explicado, não é retomado, não é
contextualizado, como se todos estivessem acompanhando os fatos
o tempo todo, como se todos os públicos, do Oiapoque ao Chuí,
estivessem "antenados" no desenrolar do fato noticiado.
Além de veicularem uma quantidade indigerível de notícias
curtas e incompletas, os editores também se dão ao
trabalho de repetir as mesmas notícias, sem acrescentar nada
de novo, no mesmo veículo eletrônico, como se não
existissem fatos novos e mais importantes a serem noticiados, quando
não se perde um tempo enorme para noticiar a celulite de
uma atriz ou uma festa na ilha de Caras...
Talvez possamos compreender essa "tendência" à
repetição e à superficialidade se considerarmos
que é muito mais barato repetir uma informação
que produzir uma nova, principalmente na televisão. No impresso,
é muito mais "interessante" publicar 50 mat&e