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Artigos: Comunicação Ambiental

André Alves

Jornalismo Ambiental: especialização e consciência

Pedro Celso Campos

Do mico-leão-dourado ao bicho-homem

Rogério Ruschell

Jornalismo em defesa do verde

Roberto Villar

Jornalismo Ambiental - Evolução e Perspectivas

Vilmar Berna

A Sociedade Brasileira Está Cada Vez Mais Interessada em Meio Ambiente
Comunicação Ambiental Para a Parceria
As Ongs, as Empresas e a Imprensa
As Receitas de Bolo e os Dinossauros da Grande Mídia
RIO+5 - Barrados no Baile
Caso Paiakâ: Prêmio Má Fé do Jornalismo Brasileiro
Pela Democratização da Informação Ambiental
DIREITO À INFORMAÇÃO AMBIENTAL

A Sociedade Brasileira Está Cada Vez Mais Interessada em Meio Ambiente - Por Vilmar Berna*


Auditoria Independente Revela que cada vez mais pessoas se interessam por informações ambientais no Brasil

A Nedstat (www.nedstatbasic.net) é um serviço de auditoria independente, com sede nos EUA, que vem monitorando os acessos ao site do Jornal do Meio Ambiente registrando a média de mais de 6.000 acessos ao dia. Na média MENSAL o site tem ultrapassado 100.000 visitantes! Este número de acessos ultrapassa as tiragens dos veículos impressos especializados em meio ambiente no Brasil, inclusive do próprio Jornal do Meio Ambiente, cuja tiragem mensal está em torno de 25 mil exemplares! Para conferir diariamente as estatísticas do site basta clicar em ‘Estatísticas’, no alto do site www.jornaldomeioambiente.com.br

Os números crescentes de visitas ao site www.jornaldomeioambiente.com.br são indicadores importantes que desmistificam a idéia de que os brasileiros não se importam nem se interessam pelo meio ambiente. O que podemos constatar é o contrário. As pessoas estão cada vez mais interessadas e a mídia impressa não tem conseguido acompanhar e divulgar a enorme quantidade e diversidade de informações ambientais que acontecem diariamente no país. Aqueles que lidam e dependem da informação ambiental, seja em seu processo de decisão, seja para garantir direitos ou mesmo para se manterem informados da conjuntura ambiental sabem como é estratégico ter acesso a esse tipo de informação especializada.

O Jornal do Meio Ambiente, tanto em sua versão impressa, com 25 mil exemplares mensais, quanto em sua versão eletrônica, com cerca de 100.000 acessos mensais, tem por missão e filosofia atuar intensamente na democratização da informação ambiental no Brasil como estratégia de formação da cidadania ambiental planetária, por entendermos que uma sociedade sustentável e socialmente justa pressupõe uma sociedade informada, na qual os vários segmentos produzem e têm acesso à informação qualificada, utilizando-a nos processos de formulação e decisão política.

Outro indicador qualitativo sobre como a sociedade vem valorizando a importância da democratização da informação ambiental são os inúmeros prêmios recebidos pelo site www.jornaldomeioambiente.com.br :

• Página Nota 10 - Escola Net - escolanet.com.br por atender aos critérios de estar em português, apresentação visual adequada, conteúdo cultural e educativo nos artigos e textos, boa resolução da página e página educacional e cultural;

• Prêmio Ecosite - do Projeto Eco Via (www.ecovia.cjb.net e-mail: ecovia@zipmail.com.br), concedido aos melhores sites ecológicos brasileiros;

• Melhor Periódico - A Ambiental - Rede de Informações Sobre Meio Ambiente ( www.ambiental.com.br ) elegeu o site do Jornal do Meio Ambiente como o melhor periódico sobre o assunto na Internet.

• Top 10% PNN - O site do Jornal do Meio Ambiente foi escolhido para fazer parte da seleção PNN Top 10% pela PNN Rede de Notícias em Português™ - Departamento de seleção e promoção dos melhores sites de língua portuguesa - www.interpnn.com e-mail: top10@interpnn.com).
Divulgar é tão importante quanto fazer

Tem empresas e instituições que estão executando projetos e ações ambientais, organizando cursos, seminários, lançando livros, etc., todos dignos de mérito, mas que não conseguem divulgar de forma adequada seus resultados ou eventos. Um dos problemas é que se preocupam mais em investir na execução dos projetos, produtos, serviços, eventos, mas não cuidam também dos investimentos na divulgação dos resultados. É como se o simples fato de estarem agindo de forma ambientalmente correta fosse suficiente para virar pauta de qualquer veículo ambiental. Limitam-se a contratar serviços de assessoria de comunicação ou mesmo usam suas próprias assessorias para enviarem releases, na esperança de divulgação, como se coubesse aos veículos financiarem a divulgação dos resultados.

Recebo diariamente, por meio eletrônico, a média de cinqüenta novas notícias ambientais, umas 1.500 por mês. Consigo aproveitar, diariamente, apenas 10, através do serviço de notícias do site www.jornaldomeioambiente.com.br enviado para mais de 100.000 leitores cadastrados e, mensalmente, umas 40 que veiculo através das 20 páginas coloridas do Jornal do Meio Ambiente impresso, cuja tiragem de 25.000 exemplares é enviada por correio e distribuição dirigida aos multiplicadores e formadores de opinião em todo o país.

Essa situação não é muito diferente para os outros editores de mídias ambientais no Brasil. Todos recebem muito mais informações do que conseguem aproveitar. Isso revela um gargalo que tem impedido a democratização da informação ambiental no Brasil.

De um lado, está a iniciativa crescente da Sociedade, através de suas empresas, universidades, organizações do terceiro setor e do próprio governo, em produzir informações ambientais, aparentemente demonstrando que acordou para a nova realidade ambiental do planeta e está passando do discurso e declarações de boa vontade ambiental para a prática.

De outro, a realidade da mídia brasileira, dividida entre a chamada Grande Mídia, que se propõe a atingir a sociedade como um todo, e a mídia especializada em meio ambiente. A Grande Mídia se interessa pela questão ambiental apenas quando ela é notícia de grande impacto, diante de um vazamento ou acidente ambiental, por exemplo. Alguns dizem, com ironia, que a imprensa gosta mesmo é de notícia ruim quando abre manchetes de primeira página diante de problemas ambientais, mas dedica poucas linhas internas diante de soluções.

Já a mídia ambiental especializada não tem a mesma capacidade de infra-estrutura para fazer uma cobertura adequada de grandes acidentes, por exemplo. Não tem recursos para contratar helicóptero ou várias equipes de reportagem para cobertura 24 horas do problema, em compensação, não deixa o assunto de lado depois que ele perde a visibilidade. Além disso, a mídia especializada em meio ambiente vai além dos problemas e também divulga com o mesmo destaque soluções, projetos, eventos ambientais. Infelizmente, existem poucos veículos especializados em meio ambiente no Brasil cujas tiragens são bem menores do que deveriam.

O curioso é que as mesmas empresas e governos que enchem as redações da mídia especializada com releases, por um lado, excluem esses veículos de seus planos de mídia. Também não asseguram recursos para divulgação nos projetos ambientais que patrocinam. Depois se queixam que os resultados obtidos não receberam a divulgação que merecia, que apesar de todo o investimento em projeto de responsabilidade sócio-ambiental a imagem institucional da empresa ou Governo continua péssima, ou que o evento, curso ou seminário ambiental não recebeu o público esperado por falta de divulgação.

* Vilmar é editor do Jornal do Meio Ambiente e Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente – vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br

Comentário de Adalberto Marcondes – Coordenador Geral da ECOMÍDIAS

O Jornal do Meio Ambiente conseguiu mais de 6 mil visitas diárias ao site. Isto é uma grande vitória para o meio ambiente e o resultado de um trabalho magnífico realizado pelo Vilmar anos a fio.

Contudo, apesar deste desempenho fantástico como mídia especializada nas questões ambientais, o JMA ainda "acontece" porque o Vilmar é um abnegado. As grandes empresas brasileiras não aportam suas verbas publicitárias nas mídias ambientais. Aqui fica uma provocação para o Rogério, que acompanha este tema há anos, para que nos dê uma palavrinha sobre o assunto.

Todos os meses o Vilmar tem de sair vendendo o almoço para compra o jantar e colocar o JMA nas ruas. É uma publicação fundamental para o cenário ambiental brasileiro. No entanto, ainda sem sustentabilidade financeira.

O Brasil, como nação, não tem ainda um modelo de financiamento para a difusão de informações e conhecimento. A Constituição tem todo um capítulo dedicado ao "Direito à Informação" da sociedade, mas nenhuma linha sobre o financiamento à informação. De fato, a responsabilidade de irrigar o mercado editorial com recursos para que este leve informação à sociedade é das agências de publicidade. No entanto, estas agências atuam com critérios técnicos de perfil do público e custo. Não entram em juízo de valor sobre o tipo de informação que estão financiando.

O que temos de fato são anunciantes "comprando público" e veículos "vendendo público". A informação não tem muito espaço nesta equação. Este é um longo debate. Parabéns ao Vilmar, que nos mostra que dá para fazer um bom trabalho mesmo remando contra a corrente.
Dal Marcondes

Depoimento Pessoal: Vilmar Berna

Sempre me movi pelo sentimento de que não vim a esse mundo a passeio e que o futuro não está pré-determinado, mas depende de nossas atitudes no presente. Posso passar a vida choramingando pelo limão que recebi, ou arregaçar as mangas e fazer uma limonada. Resolvi arregaçar as mangas.

Após mais de vinte anos como militante ambientalista, primeiro na Univerde, depois nos Defensores da Terra, no período entre 1984 e 1994, e mais recentemente na REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental, da qual sou superintendente executivo, vi crescer a consciência ambiental na sociedade e também multiplicarem-se os números de novos militantes ambientalistas e de novas ONGs.

Sempre me angustiou o porquê das pessoas terem tanta dificuldade de se mobilizarem na defesa dos seus direitos a um meio ambiente preservado e mesmo para mudarem de atitude. São vários os fatores e resolvi tentar ajudar na superação desses limitadores.

Um deles é a falta de legislações eficientes que estabeleçam políticas eficazes e, na minha opinião, uma política, para ser eficaz precisa ter, no mínimo, quatro mecanismos: o da COMUNICAÇÃO, pois creio que a maioria da sociedade de gente de bem que basta ser bem informada sobre direitos e deveres para reagirem adequadamente; o mecanismo da EDUCAÇÃO, pois a informação, por si só, não é capaz de gerar mudança de valores e atitudes; o mecanismo do INCENTIVO, por que tendemos a buscar muito mais o prazer, a compensação, que a dor; e, finalmente, o mecanismo da PUNIÇÃO, pois às vezes, mesmo sendo bem informado, bem formado e bem estimulado, ainda assim, tem gente que escolhe um mau caminho, talvez motivado por ganância, arrogância, sentido de impunidade, indiferença, etc. Por isso, contribui por mais de uma década, e ainda contribuo hoje, com menor intensidade, na elaboração de boas leis ambientais, o que resultou na existência de mais de 20 leis ambientais no país, apresentadas por parlamentares meus amigos que se sentem mais vocacionados do que eu para a luta política-partidária.

Também dediquei, e ainda dedico, boa parte do meu tempo e preocupação com a formação da cidadania ambiental o que me levou a escrever livros de educação ambiental, entre os quais "Como Fazer Educação Ambiental" que é adotado em muitas escolas e por muitos professores no país. Neste livro, proponho a criação de uma Rede de Clubes de Amigos do Planeta, para que as novas gerações já cresçam com a preocupação de pensar e agir concretamente na melhoria do meio ambiente em vez de ficar esperando por 'salvadores da pátria'. Esta idéia vem se multiplicando pelo país e, por exemplo, só no município de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, já são mais de 40 clubes, reunindo mais de 500 jovens que realizam ações concretas como plantio de árvores, etc.

Também tomei a iniciativa de criar um movimento de voluntários ambientais que reúne hoje mais de 3.000 filiados e resultou em inúmeras atividades concretas pela melhoria ambiental como mutirões de limpeza em ecossistemas.

Nos últimos anos, após 1996, passei a me concentrar com mais intensidade na democratização da informação ambiental, pois sem informação ambiental em quantidade e qualidade suficientes dificilmente as pessoas serão capazes de se mobilizarem na defesa de seus direitos ambientais e mesmo de cumprir com seus deveres ambientais. Primeiro, tentei uma colocação nos grandes veículos de comunicação, mas a área ambiental não era valorizada, e vivia a 'ressaca' pós-RIO 92, quando os espaços na grande mídia para meio ambiente encolheram. Depois, tentei a mídia especializada, mas não descobri não existirem veículos em número suficiente muito menos com capacidade para contratar profissionais e mantê-los empregados. Voltei-me então para a edição de um jornal pela ONG da qual era presidente, os Defensores da Terra, e cheguei a fazer umas seis edições, mas percebi que ainda não era o que eu pretendia fazer já que a mídia institucional tem suas limitações pois focaliza a pauta muito em função do que a instituição faz ou pensa. Então resolvi enfrentar o desafio de criar um veículo próprio, especializado em meio ambiente, sem nenhum recurso, apenas com a cara e a coragem, na base do trabalho voluntário, sem a intenção de lucro financeiro, mas como um compromisso ideológico em colaborar para a mudança e a transformação do mundo em que vivemos. Pude contar com a ajuda de muitas outras pessoas, organizações, parceiros que fui descobrindo ter a mesma preocupação e compromisso.

Hoje, mais de dez anos depois, edito a Revista do Meio Ambiente, publicada mensalmente, em papel reciclado, colorida e distribuída gratuitamente em todo o país com foco no público formador e multiplicador de opinião em meio ambiente. Minha meta é poder chegar às bancas do país, podendo oferecer, assim, uma publicação deste nível ao público em geral. Também sou responsável pelo www.portaldomeioambiente.org.br que mantém a média anual em torno de 2 milhões de acessos, o que o torna numa das mais importantes referências de informação ambiental no Brasil.

Hoje, vivo financeiramente com muito pouco que ganho com os direitos autorais de meus livros, numa comunidade de baixa renda, em Jurujuba, cidade de Niterói, numa aldeia de pescadores, que lutam cotidianamente por sua sobrevivência, como eu.

DIREITO À INFORMAÇÃO AMBIENTAL

Artigo por Vilmar Berna

Quanto mais empresas poluidoras ou não sentirem-se à vontade para democratizar suas informações - e incluindo de preferência os veículos damídia ambiental em seus planos de mídia - , melhor para a democratização da informação ambiental e melhor para os seus críticos, que terão informações para combatê-las, melhor fiscalizarem, sugerirem propostas e encaminhamentos, etc.

Em minha opinião, não há nenhum problema em aceitar patrocínio de empresa poluidora. Errado é praticar a auto-censura ou aceitar condicionamentos de qualquer natureza que evitem pautar um tema que incomoda ao nosso patrocinador, ou praticar um mau jornalismo abrindo espaço apenas para a opinião do patrocinador.

Se não somos corruptos não temos por que temer os corruptores.

Também não devemos assumir o papel de 'babás' dos leitores até por que eles não nos pedem isso, pois são capazes de saber se defender escolhendo que veículos, que profissionais, que informações querem continuar recebendo ou não. O nosso papel é expor esta informação, de forma isenta, ética, profissional, e não achar que temos o direito de escolher pelo leitor. Por exemplo, como ambientalista e cidadão, tenho me colocado contra a indústria nuclear e sempre que posso organizo manifestações contra o nuclear e escrevo e publico artigos e editoriais contra o setor, mas como jornalista não tenho o direito de impedir que o setor nuclear use o veículo que edito - e anuncie nele, inclusive - para democratizar suas informações, ainda que eu não goste nem concorde com elas. Já recebi muitas críticas de ambientalistas que acham que um veículo ambiental só tem de abrir espaço para o que for 'política e ambientalmente correto'. Isso não seria jornalismo, seria panfletagem.

Por outro lado, assim como temos cuidado em nossas relações pessoais,precisamos ter também nas relações institucionais. Ouvir uma determinada empresa ou organização que está sendo alvo de críticas não é nenhum favor ou gentileza, é obrigação profissional de cruzar informações, independente se a empresa patrocina ou não o veículo. Mas, quando esta empresa é também patrocinadora do seu veículo, existe uma dupla obrigação de ouvir sua opinião. Caberá, sempre, ao leitor em instância final, julgar se o profissional ou o veículo estão sendo profissionais ou tendenciosos.

Reforço aqui o pensamento do meu amigo Wilson, que concordo em gênero,número e grau: "As empresas ou organizações "bandidas" não aceitam o debate.Elas usam o patrocínio como forma de "calar a boca" ou de paralisar as mãos que escrevem. É isso que não se pode aceitar."

Penso que não precisamos nos preocupar com empresas 'bandidas'. Elas é que se preocupem conosco. Se desejam anunciar no Jornal do Meio Ambiente, são bem vindas, pois estarão ajudando a financiar milhares de centimentragem de muitas informações ambientais que só podem circular por que alguém está financiando. Agora, não esperem jornalismo de concordância por que o que vendemos é espaço publicitário, que tem preço, e não espaço editorial,liberdade e independência, ética e dignidade, que não têm preço.

Quero deixar aqui meu depoimento sobre empresas 'bandidas', resultado de uma prática cotidiana na busca de financiamento das 100 edições que já conseguimos publicar do JMA. Neste esforço, recebemos patrocínios de dezenas de empresas no Brasil, quase que em sua totalidade grandes poluidoras e jamais, com uma única exceção, houve qualquer tipo de pedido direto ou mesmo de insinuação ou qualquer constrangimento a cerca de nossa independência. Cito só um exemplo positivo. Não foram uma nem duas vezes em que empresas como Petrobrás, Furnas, Eletronuclear, etc., ligadas do Governo Federal, anunciaram no JMA e na mesma edição publicamos editorial, críticas e matérias, digamos, desfavoráveis às imagens e atividades destas organizações e do Governo e jamais sofremos qualquer bloqueio publicitário antes ou depois. Nunca houve sequer um pedido 'camarada' para aliviar qualquer crítica. Isso é um indicador de uma democracia madura. E precisamos saber valorizar as pequenas vitórias de nossa sociedade.

A exceção a que me referi acima, e que não vou citar o nome, partiu de uma grande empresa privada, a quem, ao cruzar informações a partir de uma carta que recebi de um ambientalista, a empresa propôs um anúncio de página dupla em troca de não publicar a carta. Preferi publicar a carta e perder o anúncio. Hoje, esta mesma empresa me respeita e respeita o veículo, e alguns anos depois do primeiro episódio, passou a anunciar conosco, mas agora respeitando as regras do jogo.

Por detrás dos releases que inundam nossos e-mails, e das estratégicas de comunicação, publicidade e marketing ambiental das empresas poluidoras, temos colegas que assessoram estas empresas e organizações, e este é um nicho de trabalho crescente. Precisamos entender que estes colegas têm o direito ao seu trabalho, e que as organizações têm o direito e o dever de se comunicarem adequadamente com o público interessado, informando sobre como estão cuidando do meio ambiente. Inclusive, ao agirem assim, podem estar contribuindo para a formação de consciência ambiental da sociedade e mesmo dar o exemplo para outros, estimulando novos investimentos em meio ambiente, num efeito cascata.

Mas informação é credibilidade. E conquistar esta credibilidade é a chave do sucesso entre uma informação que vai para o lixo da informação que agrega valor. Qualquer plano ou campanha de Comunicação Ambiental deve estar baseado no desejo sincero em se comunicar francamente com seus diversos públicos. Afinal, mentiras têm pernas curtas. Adotar o silêncio ou publicar informações tendenciosas ou mentirosas como estratégia para se proteger de problemas, pode até dar certo em alguns casos, mas, quando não dá, pode ser tarde demais ou custar muito mais caro ter de corrigir boatos ou mentiras.

O melhor antídoto para a desconfiança do público é a verdade, com a circulação de documentos e informações específicas para este público e identificação de parceiros para projetos. No esforço de agregar credibilidade à informação, os críticos podem exercer um papel importante
ainda que sejam incômodos e às vezes até injustos em suas críticas, pois mantém abertas as portas do diálogo e a confiança do público e dos leitores pois sabem que estão num ambiente de respeito às idéias e opiniões diferentes.

Também compromete a credibilidade da informação quando há uma tentativa de exagerar 'aspectos da verdade'.

É verdade que a empresa realmente está investindo neste ou naquele aspecto ambiental, mas a proporção entre este investimento e o que ela retira da natureza ou destrói o meio ambiente pode ser absolutamente desproporcional, fazendo com que o público não desconfie da verdade informada, mas também não agregue grande valor ambiental à informação. Os colegas que elaboram estas campanhas institucionais e peças publicitárias e de informação precisam estar atentos para não exagerarem demais nos ingredientes pois podem desandar o produto final.

E isso é mais comum do que se imagina, e não são poucas as empresas que pretendem obter mérito ambiental por estar fazendo parte de suas obrigações legais, ou cumprindo algum termo de ajuste de conduta, ou medida compensatória obrigatória devido licenciamento ou agindo no controle de poluição intrínsecos à própria atividade poluidora. Nestes casos, não houve mentira ou tendenciosismo, nem a empresa esta exorbitando do seu direito de informar, mas a empresa precisa compreender que o público não estará dando à informação toda a importância que a empresa gostaria.

A INFORMAÇÃO AMBIENTAL ASSOCIADA AO MARKETING E À EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Mas só informar pode não ser suficiente. Existe a poluição da informação onde as palavras perdem o significado e importância e tanto faz o público saber que derrubaram uma árvore na esquina ou uma floresta inteira. Não é pelo maior ou menor volume de informações que o público aprende a pensar criticamente e se torna capaz de atuar em seu mundo para transformá-lo ou se torna consumidor deste ou daquele produto ou serviço. Os profissionais de publicidade e marketing sabem disso e precisam usar de estratégias para que a informação chegue aos receptores, ao público e para isso usam de diversos recursos, como a repetição pura e simples, colocar a informação onde o receptor menos espera, agregar alguma emoção à informação, agregar a imagem ou a credibilidade de alguns atores à informação sobre seu produto, etc.

Por exemplo, a simples veiculação de informação ambiental desassociada de um compromisso com a cidadania crítica e participativa, ao contrário de estimular uma revisão de valores, pode aumentar a velocidade do saque aos recursos do Planeta, uma espécie de ética distorcida, como se a seleção natural das espécies separasse o mundo em vencedores (desenvolvidos, países de primeiro mundo) e perdedores (em desenvolvimento, sub-desenvolvidos, países de segundo e terceiro mundo) onde apenas os mais aptos e espertos sobrevivem, aqueles que chegaram primeiro e dispõem dos melhores meios e tecnologias para retirar e utilizar com mais eficiência e rapidez os recursos do Planeta, capitalizando lucros e socializando prejuízos.

* Vilmar Berna é editor do Jornal do Meio Ambiente. (vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br / www.jornaldomeioambiente.com.br )

Jornalismo Ambiental: especialização e consciência - Por André Alves*

No segundo semestre deste ano, o curso de comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) oferecerá uma disciplina inédita em todo o país: a de Jornalismo Ambiental. Uma luta da professora Ilza Maria Tourinho Girardi, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) que aponta para dois fatos extremamente relevantes: o crescimento da conscientização ambiental e a necessidade de profissionais de comunicação especializados no tema. Mesmo com modismos e marketing pretensamente verdes, percebemos que nos últimos doze anos a imprensa, de um modo geral, vem dedicando mais espaço às ações ecológicas e estudos ambientais. Entretanto, jornais e jornalistas nem sempre estão em sintonia sobre a importância da informação no papel da formação de uma nova consciência ecológica e como instrumento pedagógico.

A professora Ilza Girardi, ao propor a criação do curso, recorreu ao Simpósio Nacional de Jornalismo Ambiental, realizado em Belo Horizonte no final de 2002, onde jornalistas, ambientalistas e estudantes realçaram a necessidade da criação de disciplinas de jornalismo ambiental nos cursos de graduação como forma de se investir na formação do futuro profissional. Além disso deve ser tratado como um campo do Jornalismo Científico, devido a sua multidiscplinaridade e complexidade de temas como biotecnologia, biopirataria, seqüestro de carbono, efeito estufa, mecanismos de desenvolvimento limpo, desenvolvimento sustentável, escassez de recursos hídricos, entre muitos outros.

O Jornalismo Ambiental está se constituindo em uma especialidade onde a formação de profissionais capacitados se torna imprescindível, do mesmo modo como os cronistas esportivos a partir da década de 40 no Brasil e com o mesmo peso e importância que os jornalistas da área política e econômica nos últimos 20 anos. É claro que atualmente existem várias publicações e dezenas de jornalistas e comunicadores com formação e percepção. No caso de jornalistas cito Washington Novaes, Liana John, Carlos Tautz, Vilmar Berna e Roberto Villar, entre muitos outros. Em relação às mídias, temos o Jornal Terramérica, Estado Ecológico, revista Ecologia e Desenvolvimento e Jornal do Meio Ambiente. Isso sem falar do trabalho de diversos assessores de imprensa de organizações não-governamentais e órgãos de governo.

Essas publicações e jornalistas vêm reforçar a necessidade de jornalistas especializados, tanto é assim que existem dezenas de universitários na Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (RBJA), criada para debater assuntos específicos do jornalismo ambiental no Brasil, integrar os jornalistas de várias regiões do país que cobrem este assunto tão vasto, além de divulgar sugestões de pauta. Esses motivos reforçam a iniciativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que provavelmente será um marco no jornalismo.

Particularmente em Mato Grosso, estado que detém três importantes biomas (Pantanal, Cerrado, e Amazônia), existem importantes trabalhos de educação ambiental em andamento ao mesmo tempo em que a degradação é acelerada. Além da Rede Mato-grossense de Educação Ambiental (ou talvez justamente pela existência dela), é que na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) a educação ambiental e a ecologia são áreas fortes, principalmente no campus de Cáceres. Na UFMT, em todos os cursos existem as disciplinas optativas de Educação Ambiental.

O que se espera, é que outras faculdades, sejam elas particulares ou públicas observem e estudem a possibilidade de incorporar a disciplina em sua grade, estimulando e provando a necessidade da especialização e da formação acadêmica do futuro jornalista.

André Alves é editor da agência de notícias ambientais Estação Vida e membro da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (alalves@icv.org.br). Artigo publicado em 12/março/2003 no Jornal do Meio Ambiente.

Jornalismo Ambiental - Evolução e Perspectivas - por Roberto Villar*

O meio ambiente é o centro de uma disputa de poder neste final de século. Os empresários estão conseguindo roubar a bandeira dos movimentos ecológicos. As palavras de ordem agora são custo ambiental e parceria. As empresas não só descobriram que podem ganhar muito dinheiro fazendo o que os ecologistas vem dizendo há mais de duas décadas, como perceberam que evitar o desperdício e implantar tecnologias limpas é uma questão de sobrevivência no mercado globalizado.

O "ambientalismo empresarial" ganha força. Publicamente, as grandes indústrias fazem campanhas publicitárias e plantam notícias na imprensa. Veladamente, exercem um forte lobby para afrouxar a legislação ambiental e desacreditar as ONGs. Nos discursos, defendem a liberdade de imprensa e a democracia. Nos bastidores, são soldados de uma conspiração do silêncio - a censura empresarial - criada para que a população receba apenas a versão dos poluidores. Este é o pano de fundo para entender o jornalismo ambiental dos anos 90.

O jornalismo ambiental tem características diversas em cada região do Brasil. A existência e a própria qualidade das notícias publicadas estão diretamente relacionadas à mobilização da sociedade em torno do tema. As Organizações Não-Governamentais enfrentam dificuldades para publicar os seus pontos de vista em todo o país, mas onde a atuação das entidades é fraca, o noticiário sobre problemas ecológicos é quase inexistente.

Os grandes grupos de comunicação do país sabem que não podem ignorar a questão ambiental, meramente por uma questão de mercado, e por isso fazem pequenas concessões, abrindo janelas periféricas aqui e ali. No entanto, mantêm o jornalismo ambiental com um status marginal. E o jornalista que se especializa é rapidamente tachado de ecochato ou ecologista, minando a credibilidade do profissional. Principalmente quando começa a discutir com profundidade as questões ecológicas e denunciar grandes empresas poluidoras.

A imprensa brasileira dificilmente trata dos problemas ambientais com profundidade na pauta das discussões públicas. As exceções são fruto de um esforço pessoal e isolado. O meio ambiente é manchete e ganha espaço e tempo na cobertura diária quando acontecem desastres, ou quando os assuntos repercutem no exterior, como a morte de um ecologista famoso, as queimadas e os desmatamentos na Amazônia e na Mata Atlântica. A pauta ambiental ainda vem das agências internacionais.

A grande imprensa não desvenda a promiscuidade que existe entre os órgãos ambientais e as indústrias. Também evita debater temas brasileiros, como a falta de saneamento no país.
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental reuniu os maiores especialistas em saneamento ambiental de 14 a 19 de setembro em Foz do Iguaçu. Os jornalistas não apareceram. Dias depois, o governador do Paraná, Jaime Lerner, promoveu os Jogos da Natureza e surgiram centenas de repórteres para registrar o espetáculo.

Diante deste novo "ambientalismo empresarial", uma aliança entre jornalistas, cientistas e ecologistas é de vital importância para a democracia. Um cidadão só tem liberdade de escolha se ele conhece as opções existentes. Se só existe uma versão, não há o que escolher.

O cidadão não tem como confrontar as informações. Por isso, os repórteres tem que ouvir o que os pesquisadores e ambientalistas têm a dizer. Por outro lado, não podem se transformar em meros assessores de imprensa de entidades ecológicas ou instituições de ensino. É preciso bom senso e equilíbrio. Lembrando sempre que o poder da imprensa é determinar os assuntos que estarão na agenda das discussões públicas da sociedade.

Hoje, os empresários têm mais acesso à imprensa. Poucas ONGs já aprenderam a disputar tempo e espaço na mídia. Algumas exceções são a Greenpeace e a Fundação SOS Mata Atlântica. A maioria das entidades ambientalistas não conhece o funcionamento dos veículos de comunicação, o processo de produção das notícias. Por isso, melhorar a qualidade do jornalismo ambiental não passa apenas pela educação ambiental dos jornalistas, mas também pela educação jornalística dos ecologistas.

Além da censura empresarial, existe a omissão dos jornalistas nas redações. Quanto mais especializado, mais o repórter ou editor começa a questionar a sua concepção de mundo e o seu próprio estilo de vida. Como o jornalista pode falar de harmonia entre os homens e a natureza se não sabe o que é a harmonia? Como poderá estimular a solidariedade tendo um espírito individualista? Se é verdade que a destruição da natureza inicia no espírito dos homens, os jornalistas terão que mudar o seu próprio estilo de vida no processo de aprendizado do jornalismo ambiental.

O jornalismo ambiental é uma especialização do jornalismo, com todas as regras gerais da profissão. A reportagem de meio ambiente tem que ser "vendida" como qualquer outra matéria. Deve ser novidade e de interesse público. A linguagem tem que ser simples.

"O estilo é a arte de dizer o máximo com o mínimo de palavras", dizia Jean Cocteau.
O repórter tem que oferecer boas manchetes para disputar espaço nas redações, e se diferenciar com um trabalho de qualidade. Quando fizer denúncias, deve ter provas suficientes para enfrentar a reação dos poluidores, e a pressão dos editores.

Alguém já disse que a reportagem é a arte de reconstituir os fatos, com emoção.

E com opinião, eu acrescentaria. Sem uma opinião própria fundamentada sobre os fatos não há como escrever uma boa reportagem. A neutralidade da imprensa é uma bobagem que inventaram para enganar os leigos. O que existe, e deve ser perseguida, é a honestidade. Quando escolhemos uma pauta, a abertura de uma matéria ou um título, estamos sendo parciais, vendo o mundo com os nossos olhos. Afinal de contas somos seres humanos, e não máquinas de calcular.

Uma tendência que surge cada vez com mais força no jornalismo ambiental é a divulgação de histórias humanas e bons exemplos. Menos catástrofes e previsões científicas assustadoras, e mais dicas práticas para o dia-a-dia das pessoas. No Brasil, quem segue este estilo é o Repórter Eco, da TV Cultura de São Paulo, programa que conseguiu sobreviver à ressaca pós-Rio 92 e vem mantendo um bom índice de audiência em todo o país.

Este tipo de reportagem educativa é de grande importância, para mostrar que é possível viver em harmonia com a natureza. No entanto, o jornalismo ambiental não pode se limitar apenas a bons exemplos. O repórter especializado tem que ser também um cão de guarda, e denunciar os desmandos. Uma matéria retrata a realidade. Se a realidade é trágica e catastrófica, a imprensa não pode criar um mundo fictício em nome da educação ambiental do público. Deve procurar, porém, contextualizar o homem dentro da natureza, e sempre apresentar os problemas com as soluções ambientalmente sustentáveis.

O jornalismo ambiental não se limita à grande imprensa. Os jornais de bairro, rádios e televisões comunitárias também são alternativas importantes, pois permitem um envolvimento muito mais direto com o público. A pauta dos veículos reflete mais as necessidades da região. O principal jornal de bairro de Porto Alegre - Oi! Menino Deus - conseguiu fazer, entre 1995 e 1996, reportagens investigativas na área ambiental que lhe renderam diversos prêmios estaduais, vencendo até os grandes jornais gaúchos.

Breve história do jornalismo ambiental

O jornalismo ambiental é uma tendência irreversível na imprensa mundial. Depois da Rio 92, houve um retrocesso nos Estados Unidos e no Brasil. Por outro lado, cresce de importância no Leste Europeu. Apesar da diminuição de tempo e espaço em alguns países, entidades de jornalistas especializados em meio ambiente trabalham na formação de profissionais, melhorando a qualidade das matérias. A primeira organização surgiu na França, ainda na década de 60.

Em 1968, aconteceu em Paris a Conferência da Biosfera. Na mesma época, surgiu na França a primeira entidade de jornalismo ambiental. No mesmo ano, era preso no Brasil - pela Operação Bandeirantes - o jovem repórter Randau Marques, primeiro jornalista brasileiro a se especializar em meio ambiente. Randau foi considerado subversivo na época porque escreveu num jornal da cidade paulista de Franca (berço dos curtumes) reportagens sobre a contaminação de gráficos e sapateiros com chumbo, e já questionava a expressão "defensivos", mostrando que os agrotóxicos eram responsáveis pela mortandade de peixes e pela intoxicação de agricultores. Depois, Randau se especializou em assuntos urbanos e questões ambientais no Jornal da Tarde.

Pelo diário do Grupo Estado, Randau cobriu na capital gaúcha a primeira polêmica ambiental envolvendo uma grande indústria. O fechamento da fábrica de celulose Borregaard, do dia seis de dezembro de 1973 até 14 de março de 1974, atraiu a atenção de jornalistas de outros estados e do exterior. A indústria, hoje chamada de Riocell, fica nas margens do Guaíba, na frente de Porto Alegre. A poluição uniu o embrionário, mas aguerrido, movimento ecológico gaúcho. No entanto, não é a imagem de uma chaminé que representa a época. Foi a famosa foto do estudante universitário Carlos Dayrel sentado numa acácia, tirada no dia 25 de fevereiro de 1975. Ele ficou horas em cima da árvore que seria cortada pela Prefeitura para a construção de um viaduto. Os protestos dos ecologistas ganharam ampla cobertura da imprensa, amordaçada pela censura militar.

Foi depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, que as questões ambientais começaram a aparecer com maior freqüência na imprensa internacional. O novo boom ocorreu em meados dos anos 80, com a descoberta do buraco na camada de ozônio e as primeiras hipóteses sobre o impacto das atividades humanas no aumento do aquecimento global. A imprensa brasileira reagiu às preocupações dos países do primeiro mundo, e se voltou para os problemas ambientais da Amazônia.

Em agosto de 1989, foi realizado em São Paulo o Seminário "A Imprensa e o Planeta", promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e pela Associação Nacional de Jornais. Três meses depois, aconteceu o encontro mais importante para o jornalismo ambiental brasileiro. A Federação Nacional dos Jornalistas realizou no final de novembro, em Brasília, o "Seminário para Jornalistas sobre População e Meio Ambiente". Participaram especialistas internacionais, como o francês François Terrason, especialista em planejamento ecológico e agricultura, a norte-americana Diane Lowrie, da Global Tomorrow Coalition, a jornalista argentina Patricia Nirimberk, da Fundação Vida Silvestre, o tcheco Igor Pirek, da Agência de Notícias CTK, o educador Pierre Weil, da Universidade Holística Internacional e especialistas brasileiros, como o repórter Randau Marques, o professor Paulo Nogueira Neto, o físico Luis Pinguelli Rosa, o agrônomo Sebastião Pinheiro e o jornalista Fernando Gabeira.

A união dos jornalistas de meio ambiente

A partir do seminário da Fenaj em Brasília, em 1989, formaram-se núcleos regionais de jornalismo ambiental em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, com o objetivo de criar uma entidade nacional de jornalismo ambiental. No entanto, sobrou apenas o grupo gaúcho. O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (Nejrs) nasceu dentro do movimento ambientalista, no dia 22 de junho de 1990, num debate com o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, filósofo Celso Marques, e o presidente da União Protetora do Ambiente Natural, jornalista Carlos Aveline.

Nestes sete anos, o Nejrs trabalhou junto com as principais ONGs gaúchas e também promoveu debates no meio universitário. Em junho de 1991, promoveu o Encontro Jornalismo e Ecologia, junto com a Ufrgs, SBPC, PUCRS e Consulado do Estados Unidos, que viabilizou um debate via-satélite. Entre abril e maio de 1992, realizou junto com a Faculdade de Comunicação da Ufrgs o I Curso de Extensão em Ecologia para Jornalistas, preparatório para a cobertura da Rio 92. O II Curso ocorreu entre novembro e dezembro de 1993, com o objetivo de discutir o papel da imprensa nos desastres ambientais. O resultado foi a publicação do Manual de Emergência para Desastres Ambientais.

O Nejrs foi agraciado pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul com a Medalha do Conservacionista, em junho de 1994. No mesmo ano, recebeu o prêmio Contribuição Especial da Associação Rio-Grandense de Imprensa. O Núcleo é formado por 17 jornalistas, 7 na grande imprensa, mas apenas um fazendo jornalismo ambiental diário. Os integrantes da entidade criaram o jornal Sobrevivência da Agapan e um encarte verde dentro do jornal do Sindicato dos Jornalistas, entidade que cede uma sala ao Nejrs. A próxima publicação do Núcleo será um boletim eletrônico quinzenal distribuído na Internet.

Em nível global, a principal entidade de jornalismo ambiental é a Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente do Estados Unidos. A Society of Environmental Journalists foi criada em 1990 por um dúzia de repórteres premiados, e atualmente tem mais de 1.100 sócios. A entidade se dedica a melhorar a qualidade, precisão e importância das reportagens de meio ambiente.Para isso, promove encontros e debates em todo o país. A Sétima Conferência Nacional da SEJ ocorreu de 3 a 5 de outubro na Universidade do Arizona, em Tucson.

A criação de uma rede mundial de jornalistas de meio ambiente foi uma das decisões do Encontro Internacional de Imprensa, Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizado entre 20 e 24 de maio de 1992 em Belo Horizonte. Batizado de Green Press, este encontro estava na agenda oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Mas foi somente em 1993, numa reunião em Dresden, na Alemanha, que foi criada a Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente.

Atualmente, a Federação é uma aliança formada por jornalistas de 52 países. O principal objetivo da entidade é ampliar a compreensão pública dos problemas ambientais através do intercâmbio entre os profissionais especializados. Para isso, realiza encontros anuais.

O primeiro congresso ocorreu em Paris, em 1994, no Palácio da Unesco. Em 1995, a reunião aconteceu no campus do Massachusetts Institute of Technology (MIT), na cidade de Cambridge, junto com a reunião anual da Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente dos Estados Unidos. Depois, a Federação se reuniu em Cebu City, na Ásia (1996) e em Budapeste, na Hungria (1997). Em 1998, o Congresso será no Sri Lanka, depois na América Latina, provavelmente na Colombia, e no ano 2000 no Egito.

O Núcleo de Ecojornalistas acredita que é preciso formar uma rede virtual de jornalistas especializados em meio ambiente no Brasil, através da Internet. Desse modo, é possível trocar experiências, pautas e fontes. Também defendemos a aproximação com a Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente. Já existem no Alternex duas conferências eletrônicas para facilitar a troca de informações. Uma em inglês - env.journalism - e a outra em português e espanhol - amb.jornalismo. O intercâmbio internacional e a parceria com as ONGs e cientistas com certeza elevará a qualidade do jornalismo ambiental praticado no país.

As entidades

NEJRS - Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul
Rua dos Andradas 1270, 13.o andar, Porto Alegre.
CEP: 90020-008. E-mail: nejrs@ax.apc.org
Coordenador: Juarez Tosi
E-mail: juatosi@portoweb.com.br
Telefone: (0xx51) 2254555 (Procuradoria da República/RS)

SEJ - Society of Environmental Journalists
P.O. Box 27280
Philadelphia, Pa. 19118
Presidente: Kevin Carmody, do Chicato Daily Southtown
www.sej.org

IFEJ - International Federation of Environmenal Journalists
14, Rue de la Pierre Levée, 75011 - Paris, France
Tel: +330148054607
Fax: +330149239149
www.sej.org/ifej
Presidente: Jim Detjen - E-mail: detjen@pilot.msu.edu
Secretário: Valentin Thurn
E-mail: v.thurn@link-k.gun.de

ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
Avenida Presidente Vargas 962, sala 711 - Rio de Janeiro
CEP: 20071-002
Fone/Fax: (021) 2531154
Presidente: Tião Santos
E-mail: tiaosantos@ax.apc.org
www.ibase.org.br/tiaosantos

• O autor é Roberto Villar, 29 anos, responsável pelos programas Gaúcha Ecologia, da Rádio Gaúcha, e Ecologia em Destaque, da Rádio CBN de Porto Alegre. Sócio do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Cobriu pela Gaúcha duas conferências da ONU, a Cúpula da Terra, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, e a Habitat II, em Istambul no ano passado. Já participou de dois Congressos da Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente, em Paris (1994) e Cambridge/USA (1995). Em maio de 1995, passou duas semanas na Alemanha, à convite do governo alemão, conhecendo projetos ambientais. Já recebeu mais de dez prêmios regionais de jornalismo, entre eles o Primeiro Lugar em Reportagem Geral do Prêmio da Associação Rio-Grandense de Imprensa, edição de 1996, com reportagem sobre a maior mortandade de peixes registrada no Guaíba, publicada no jornal de bairro Oi! Menino Deus

Do mico-leão-dourado ao bicho-homem – Por Pedro Celso Campos


Quem se interessa pelo jornalismo ambiental deve lançar um olhar de indagação, inicialmente, sobre a própria epistemologia do meio ambiente (história, envolvimentos, correntes etc) buscando uma perspectiva crítica em relação aos valores sócio-econômicos modernamente contemplados pela política neo-liberal. Debruçando-se, desta forma, sobre a questão, o estudioso compreenderá a responsabilidade social que perpassa o Jornalismo Ambiental enquanto possibilidade dialética de intervenção social com objetivo de conduzir à reflexão e à mudança de comportamento ao nível da cidadania.

O caminho mais direto para esta pedagogia ambiental é a retomada do jornalismo investigativo, de apuração cuidadosa, com ampla checagem de fontes, ouvindo não apenas "os dois" mas "todos os lados" da questão, contextualizando e explicando a informação , apontando seus desdobramentos possíveis, além de conferir-lhe uma apresentação estética compatível com seu conteúdo (o que significa boas imagens na TV e na Internet e cobertura fotográfica documental no impresso).

Entretanto, a utilização do jornalismo para a educação ambiental dos cidadãos é incompatível com o modelo de jornalismo atualmente institucionalizado, onde a pressa de noticiar determina uma apuração superficial, o que gera notícias incompletas, confusas, quando não totalmente falsas. Privilegia-se o espetáculo da imagem ou do depoimento, ou mesmo do conteúdo impresso, como se a octanagem do escândalo detonando os índices de audiência tivesse o poder de justificar a pura e simples publicação de mentiras ou grosseiras agressões à ética, à tolerância e ao respeito humano.

Um balcão chamado jornalismo

As novas tecnologias não estão sendo plenamente utilizadas para um jornalismo melhor. Pelo contrário, elas têm contribuído para o acirramento da concorrência entre repórteres, editores e meios de comunicação em geral. O mesmo equipamento que permite checar à exaustão uma informação importante também é usado para colocar no ar imediatamente a notícia, deixando a investigação para logo mais.

Outras vezes é a linguagem que não ajuda: na televisão aberta, por exemplo, mesmo sabendo que não somos um país de letrados -sem contar nossos 20% de analfabetismo - usam-se siglas e fazem-se comentários que só os yuppies da Avenida Paulista compreendem. É um jornalismo em circuito fechado, onde o fato que o âncora, por exemplo, comenta não é explicado, não é retomado, não é contextualizado, como se todos estivessem acompanhando os fatos o tempo todo, como se todos os públicos, do Oiapoque ao Chuí, estivessem "antenados" no desenrolar do fato noticiado. Além de veicularem uma quantidade indigerível de notícias curtas e incompletas, os editores também se dão ao trabalho de repetir as mesmas notícias, sem acrescentar nada de novo, no mesmo veículo eletrônico, como se não existissem fatos novos e mais importantes a serem noticiados, quando não se perde um tempo enorme para noticiar a celulite de uma atriz ou uma festa na ilha de Caras...

Talvez possamos compreender essa "tendência" à repetição e à superficialidade se considerarmos que é muito mais barato repetir uma informação que produzir uma nova, principalmente na televisão. No impresso, é muito mais "interessante" publicar 50 mat&e